José de Araújo Costa nasceu em 30 de junho de 1724, em Estrufe, pequeno lugarejo rural da freguesia de Louro, no concelho de Barcelos, Portugal. Era filho de Pedro de Araújo Costa e Maria de Sá. Como visto no post anterior, em meados da década de 1740, José emigrou para o Brasil acompanhado de seus irmãos, Pedro e Manoel, possivelmente a convite do tio materno, o Coronel José da Costa e Sá. Seus irmãos estabeleceram-se nas fazendas Morrinho e Boa Vista, que haviam pertencido ao próprio coronel (Araújo, 2005, p. 149).
Após a morte do tio, em 1745, José de Araújo Costa mudou-se para a Fazenda Lagoa Grande, entre os atuais municípios de Acaraú e Bela Cruz. A propriedade teria sido adquirida de Sebastião de Sá e Oliveira e sua esposa, Maria Teresa de Jesus — ele, irmão do sesmeiro Domingos de Aguiar Oliveira. Medindo uma légua de comprimento por uma de largura às margens do rio Acaraú, a fazenda confrontava, ao poente, com as terras da capela de Santa Cruz.
Pela localização e pela existência do corpo d’água que batiza a localidade até hoje, deduz-se que a fazenda situava-se na margem oposta às terras de Domingos de Aguiar Oliveira e de Manoel Vaz Carrasco, cuja filha, Brites de Vasconcelos, José desposou em 31 de julho de 1747. O casamento teve como testemunhas Francisco Ferreira da Ponte e Manoel Ferreira Fonteles (Araújo, 2005, p. 157). O casal teve larga descendência, dentre os quais se destaca o Capitão Diogo Lopes de Araújo Costa, cuja trajetória foi registrada pelo memorialista Nicodemos Araújo (Araújo, 1978).
Ao longo de sua trajetória, José de Araújo Costa consolidou-se como uma figura de destaque na região da Ribeira do Acaraú, acumulando considerável patrimônio e prestígio social. Como reconhecimento por sua posição e serviços, recebeu a patente de Capitão-mor do Terço Auxiliar das Marinhas da referida ribeira (Fonseca, 1918, p.350; Lira, 1971, p. 36).
Em julho de 1773, antes mesmo da instalação formal da Vila de Sobral, já se encontrava estabelecido na região, tendo inclusive assinado a ata do evento (Studart, 1896, p.334). Na ocasião, foi nomeado tesoureiro e cobrador dos impostos camarários na Barra do Acaraú, com a responsabilidade de arrecadar as contribuições destinadas à manutenção da administração local (Araújo, 2000, p. 160).
Entre suas atribuições estavam a cobrança de tributos sobre o comércio de gado e sobre os barcos que transitavam pelos portos da região, especialmente nos de Camocim e Acaracu. Sua atuação colaborou para viabilizar financeiramente as primeiras obras públicas da vila, como a Casa de Câmara, a cadeia e o pelourinho, sendo um dos encarregados por garantir que os recursos recolhidos fossem devidamente entregues ao cofre da Câmara, conforme os registros oficiais da época (Nobre, 1977, p.137-138).
Mais tarde, em 1º de agosto de 1775, durante uma sessão da Câmara de Sobral, José de Araújo Costa foi eleito vereador, evidenciando o prestígio político que desfrutava entre os habitantes da vila. No entanto, apesar de eleito, não compareceu à cerimônia de posse, agendada para o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Alegando enfermidade, apresentou formalmente sua renúncia, prontamente aceita pela Câmara.
Para preencher a vacância, foi convocada nova eleição, e, conforme os costumes da época, recorreu-se a um sorteio por barrete, prática herdada das câmaras do Antigo Regime. Por esse procedimento, foi escolhido como substituto o senhor Poliardo Caetano César de Ataíde, em eleição realizada em 1º de junho (Araújo, 2000, p. 160).
Seu inventário, datado de 25 de setembro de 1792, cerca de um ano após sua morte, revela uma fortuna significativa, embora não constasse dinheiro em espécie. Entre os bens, figuram joias de ouro, esporas de prata, armas, utensílios domésticos, ferramentas agrícolas e instrumentos de produção, como rodas de moer mandioca, prensas e teares. Possuía ainda grande número de animais — vacas, bois, cavalos, éguas e poldros —, além de sete pessoas escravizadas, cuja avaliação revela o alto valor atribuído à força de trabalho cativa.
A parte mais valiosa do espólio, no entanto, estava concentrada em dez grandes propriedades rurais, quase todas situadas às margens do rio Acaraú, adquiridas por meio de escrituras e avaliadas em centenas de milhares de réis (Araújo, 2000, p. 161-165). Essas terras demonstram a centralidade da posse fundiária na formação da riqueza colonial. Sua esposa, D. Brites, foi a inventariante, mas como não sabia escrever, o documento foi assinado, a seu pedido, por Manuel Francisco de Vasconcelos.
A propriedade onde o inventário foi realizado chamava-se Sítio São José, descrito como um pedaço de terra de plantar lavoura na serra da Meruoca, medindo uma por uma légua (6,6 km) de área, adquirida do Sargento-mor Pedro Ferreira da Ponte, filho de Francisco Ferreira da Ponte, que a recebeu como sesmaria em 1745. Segundo Seridião Montenegro, esse Sítio foi uma das primeiras propriedades do atual município de Alcântaras (Montenegro, 2023, p.42).
Origem do sobrenome Araújo
O sobrenome Araújo tem sua origem em João Tirante, um cavaleiro francês do século XII que povoou a vila de Araújo, na Galícia. Alguns estudiosos acreditam que ele era aparentado com a rainha Isabel, esposa do rei Afonso VI. O sobrenome, derivado do castelo de Araújo, foi adotado primeiramente por seu neto, Rodrigo Annes de Araújo. Com o tempo, a família migrou para Portugal e, posteriormente, se espalhou pelo Brasil, onde o sobrenome também foi adotado por judeus, indígenas e africanos escravizados.
Descendência de José de Araújo Costa
Do casamento de José de Araújo Costa e Brites de Vasconcelos, nasceram 11 filhos, três homens e oito mulheres:
1. Alferes Aselmo de Araújo Costa, nascido por volta de 1748, c.c. Francisca dos Santos Xavier, natural do Recife, filha de Manoel Gomes Diniz e Josefa Maria dos Santos, em 30 de maio de 1769.
2. Maria Madalena de Sá, nascida por volta de 1747, c.c. Inácio Bezerra de Menezes, filho de Gonçalo João Coimbra e Cosma de Melo Moura, em 17 de abril de 1774.
3. Francisca de Araújo Costa, nascida em 1751, c.c. Capitão-mor Inácio Gomes Parente, português, filho de Manoel Gomes e Catarina Lopes, a 24 de novembro de 1777.
4. Ana Maria de Jesus, c.c. Alferes João de Sousa Uchoa, filho de Luis de Sousa Xerez e Ana Teresa de Albuquerque, de Olinda, a 15 de agosto de 1771.
5. Anastácia de Sá Araújo, nascida por volta de 1759, c.c. o português João Francisco Perfeito, filho de Manoel Francisco Perfeito e Ana Luisa dos Santos, a 3 de fevereiro de 1789.
6. Antônia Maria da Purificação, nascida em 1758, c.c. Paulo Joaquim de Medeiros, filho de Domingos Álvares Magalhães e Clara da Silva Medeiros, a 14 de fevereiro de 1778.
7. Maria da Encarnação, nascida a 30 de janeiro de 1760 c.c. Bernardo Pereira de Carvalho, filho de Tomás da Silva Porto e Nicácia Alves Pereira, a 14 de Novembro de 1777.
8. Cap. Diogo Lopes de Araújo Costa, nascido a 8 de março de 1761. Viveu maritalmente com três mulheres sucessivas: Antônia Maria do Rosário, Maria Rodrigues de Sousa e Maria Egipicíaca da Fonseca. Teria se casado com esta última, segundo seu inventário.
9. Rita Teresa de Jesus, nascida a 21 de janeiro de 1764, c.c. José Álvares Linhares, filho de Antônio Álvares Linhares e Inês Madeira de Vasconcelos, a 8 de julho de 1781.
10. Maria Quitéria de Araújo, nascida em 1765, c.c. Narcísio Lopes de Aguiar, filho de Nicácio Aguiar Silva e Micaela da Silva Medeiros, a 25 de janeiro de 1796.
11. Francisco Xavier Sales Araújo, nascido a 13 de dezembro de 1768, c.c. Francisca Alves Feitosa, filha de Luís Vieira de Sousa e Ana Alves Feitosa, na freguesia de São Gonçalo dos Cocos.
Segundo Pe Sadoc, as filhas de José se casaram com rapazes das mais ilustres famílias da região, ao passo que os três filhos casaram-se com as moças mais modestas e alienígenas (Araújo, 2000, p. 159).


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