Francisco Ferreira da Ponte e Silva nasceu no ano de 1697, e foi batizado a 18 de outubro de 1697, na Freguesia de N. Senhora da Apresentação, Natal, Rio Grande do Norte. Por padrinhos Damázio Saraiva e D. Gracia do Rego (Lima, 2016, p. 704). Era filho legítimo de Gonçalo Ferreira da Ponte e de sua primeira mulher, Maria de Barros Coutinho (Arruda, 1997, p. 18). Pertencia a uma família de posses e tradição, originária de terras pernambucanas, cuja descendência se estenderia posteriormente pelo sertão do Ceará, na Ribeira do Acaraú, onde viria a fixar residência e dar origem a um dos mais antigos troncos familiares da região.
Ainda jovem, mudou-se para a região das Minas Gerais, onde viveu maritalmente com a mineira Maria da Costa, solteira (Araújo, 2005, p. 67). Desse relacionamento, resultou dois filhos naturais que vieram residir juntamente com pai na Ribeira do Acaraú (Lima, 2016, p. 2071):
1. José Ferreira da Ponte casou-se com Ana Maria, filha de Manoel Rodrigues da Silva e de Luzia Ferreira.
2. Perpétua Ferreira da Ponte casou-se com Manoel Vaz da Silva, filho de Gaspar dos Reis e de Joana do Rego. Pérpetua faleceu a 09 de janeiro de 1774, e seu marido a 28 de agosto de 1791
Em data incerta, mas provavelmente nas primeiras décadas do século XVIII, Francisco Ferreira da Ponte e Silva para a Ribeira do Acaraú. Fixou-se na Fazenda Curral Grande, uma extensa propriedade situada na ribeira do rio Acaraú, no território do atual município de Santana do Acaraú, onde destacou-se na atividade agropastoril. A sede da antiga fazenda originou uma localidade de mesmo nome próximo a fronteira com o município de Morrinhos.
Apesar de não restar claro como Ferreira da Ponte obteve a Fazenda Curral Grande, é plausível que esta tenha sido adquirida de Manoel de Góes ou de seus herdeiros, uma vez que a mesma encontra-se dentro do limite da sesmaria obtida pelo mesmo em 1683. Ademais, a ligação entre as duas famílias reforça essa ideia. Em 19 de fevereiro de 1685, Manoel de Góes obteve outra sesmaria na Ribeira do Jaguaribe, juntamente com Francisco Ferreira da Ponte e outros companheiros (DHP Vol. 1, 1954, p. 159). Pela data, infere-se que este Francisco trata-se do avô daquele, que respondia pelo mesmo nome. Além disso, como discorremos em outro post, Manoel de Góes fixou-se na Fazenda Tucuns, que ficava ao lado da Fazenda Curral Grande.
No mesmo sentido, em 9 de maio de 1734, D. Mariinha Vasconcelos, mulher da Manoel de Góes, foi madrinha no batizado de Maximiano, filho de Manoel Ferreira da Cruz e Teresa de Jesus, no qual consta que esta seria moradora da Fazenda Curral Grande (Liv. Bat. 1, fl. 31). É sugestivo também o fato de Manoel de Góes possuir no Jaguaribe outra fazenda de nome Curral Grande (Bezerra, 1918, p. 81). Unindo todos esses indícios, torna-se forte a suspeita de que essa tenha sido a forma de aquisição da propriedade.
Em 23 de junho de 1746, Francisco Ferreira da Ponte recebe uma sesmaria medindo uma légua e meia de comprimento (9,9 km) por uma de largura (6,6 km), "pegando das Lages chamada Boa Vista que fica na Ladeira do Capitão-mor João Felix, buscando as testadas do Capitão João Felix e ilhargas do Capitão Manoel Rodrigues Coelho, chamadas as Ilhargas de Meruoquinha no sitio chamado Santo Antônio" (Sesmarias, Vol. 7, nº 509, p. 19).
O Capitão Manoel Rodrigues Coelho era casado com a viúva de Domingos Rodrigues Peniche, Inês Barbosa, residentes na Fazenda Pedra Branca, área chamada Várzea do Peniche, a poucos quilômetros do local onde hoje se encontra a cidade de Sobral (Araújo, 2005, p. 142). Já o Capitão-mor João Felix Carvalho era morador do Parazinho, no município de Granja, casado com Apolônia Ferreira Diniz (Araújo, 2000, p. 52).
Também possuía uma casa na Vila de Sobral, que segundo D. José Tupinambá da Frota, ficava situada "na Rua do Rio (...), numa esquina, à direita de quem, vindo da praça da Matriz, vai à capela das Dores" (Frota, 1974, p. 27).
No campo militar alcançou o prestigioso posto de Coronel de Cavalaria da Ribeira do Acaraú (Lima, 2016, p. 704). A 20 de setembro de 1738, o então Coronel Francisco Ferreira da Ponte e Silva casou-se com Maria Madalena de Sá e Oliveira, a terceira das sete irmãs, filha de de Manuel Vaz Carrasco da Silva e de Maria Madalena de Sá e Oliveira. Deste matrimônio nasceram os seguintes filhos:
3. Francisco, batizado a 25 de dezembro de 1739 pelo oficiante Pe. Elias Pinto de Azevedo, que não sobreviveu. Foram seus padrinhos os avós Manuel Vaz Carrasco e Maria Madalena de Sá, que encontravam-se na Fazenda Curral Grande para as celebrações de Natal (cfr. Liv. a, fl. 78v).
4. Pedro Ferreira da Ponte, c.c. Catarina de Sá Medeiros, filha de Tomás da Silva Porto e Nicácia Alves Pereira, a 15 de outubro de 1759. Pedro foi batizado a 5 de junho de 1741.
5. Vicente Ferreira da Ponte que se casou duas vezes. A primeira com Ana de Sá Medeiros, filha de Tomás da Silva Porto e Nicácia Alves Pereira, a 7 de julho de 1760. A segunda, com Maria Gertrudes de Mendonça, a 31 de julho de 1797. Vicente Ferreira da Ponte foi batizado a 26 de abril de 1742 e faleceu a 12 de junho de 1823.
6. Ana, de cujo parto morreu sua mãe, batizada a 16 de março de 1743.
O Testamento de D. Maria Madalena
Maria Madalena foi a primeira das Sete Irmãs a falecer, fato que ocorreu a 16 de março de 1743, em consequência de complicações no parto. Quatro dias antes, no dia 12 de março, já ciente da gravidade de seu estado, faz seu testamento, que traz algumas informações relevantes:
(...) Rogo a meu amado marido, o Coronel Francisco Ferreira da Ponte e Sylva e ao meu Pay o Capitam Manoel Vaz Carrasco da Sylva e a meu compadre o Tenente Coronel Manoel Ferreyra Fontelles por servisso de nosso Senhor e por me fazerem mercê ser meus testamenteiros (Araújo, 2005, p. 200).
No testamento, informa que o casal possuía criações de gado ferrado e dois sítio de terra: a Fazenda Curral Grande, medindo uma légua (6,6 km) e parte da Fazenda Lagoa Seca, medindo meia légua (3,3 km), ambos ao longo do Rio Acaraú. A Fazenda Lagoa Seca pertencia ao pai de Maria, Manoel Vaz Carrasco, que provavelmente a deu como dote de casamento. Declarou também possuir 108 mil réis em dinheiro de ouro e diversos bens em ouro e prata, os quais reparte entre as irmãs.
No documento, consta ainda possuir nove escravizados, cinco homens e quatro mulheres:
(...) José da Costa do Mina, outro Miguel Rafaelám de Angola, Pedro da Costa do Minna, Sylvestre mulato de idade de três annos, Maria e Marcella do gentio da Angola, outra Maria cabra e Germana criolla (Araújo, 2005, p. 202).
Mesmo após a morte de sua esposa, o Coronel Francisco Ferreira da Ponte continuou tendo papel de destaque na Ribeira do Acaraú, ocupando diversos cargos importantes. Foi designado como Juiz Ordinário em duas ocasiões, — a primeira em 22 de janeiro de 1747, reconduzido em 2 de fevereiro de 1755. Em 1749, em função da visita do Frei Miguel da Vitória, assessor da Santa Inquisição, protocolou denúncia contra o ex-escravo de Nicolau Peixoto, pela agressão ao filho de Domingos de Sousa.
Nesse período, também se destacou por sua atuação religiosa, sendo tesoureiro da Irmandade do Santíssimo Sacramento, canonicamente ereta em 15 de setembro de 1752 na Matriz da Caiçara, durante a visita oficial do carmelita Frei Manuel de Jesus Maria. Essa irmandade congregava pessoas importantes da região, como o Capitão Mateus Mendes de Vasconcelos e o sesmeiro Tomé Pires de Queiroz, um dos pioneiros de Amontada.
Francisco Ferreira da Ponte faleceu a 1º de novembro de 1758, com 61 anos de idade. No seu testamento, transcrito no Livro de Óbitos de Sobral, deixando para a Capela de N. S. da Conceição da Caiçara:
(...) légoa e meia de terra, no Curral Grande, com dois escravos, Silvestre mulatinho e o negro Pedro Minu, com os gados vacum e cavalares restantes de suas terras para que dos rendimentos dos gados se digam missas cada anno (Liv. Óbitos de Sobral, 1752-1777, fl. 16).
Nota-se a propriedade doada a igreja, de uma légua e meia de terra no Curral Grande (9,9 km) é maior do que aquela que consta no testamento de sua esposa, sugerindo que houveram aquisições posteriores. Nota-se também que o escravo mulato Silvestre, também mencionado no testamento Madalena, deveria ter ao redor de 18 anos quando fora legado a Igreja.
Francisco Ferreira da Ponte e Silva foi enterrado na antiga matriz de Caiçara, "das grades para cima, junto ao arco da capella-mor", envolto em hábito franciscano, seguindo os costumes da época, pelo padre Manoel da Fonseca Jayme.
Diego Carneiro
05 de outubro de 2025
Referências
ARAÚJO, Pe. Francisco Sadoc de. Cronologia Sobralense- Séculos XVII e XVIII- 1604-1800. 2ª edição. Volume 1/ Fortaleza: Edições ECOA, 2005.
ARRUDA, Assis. Genealogia Sobralense: Os Ferreira da Ponte Vol. IV - Tomo I. Fortaleza, CE, IOPMS, 1997.
BEZERRA, Antônio. Algumas origens do Ceará. Instituto do Ceará, 1918.
FROTA, D. José Tupinambá da Frota. História de Sobral. Fortaleza: Editora Henriqueta Galeno, 1974.
LIMA, Francisco Augusto de Araújo. Siará grande: uma província portuguesa no Nordeste oriental do Brasil. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2016.


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