Em 5 de fevereiro de 1777, casaram-se Antônio Mendes de Vasconcelos, neto de Manoel Ferreira Fonteles, filho de Maria Ferreira Pinto Brandão, com Ana Joaquina de Jesus. O casal passa então a residir em uma faixa de terra adquirida por Antônio junto ao seu pai, Mateus Mendes de Vasconcelos, a qual denominou Fazenda Areal (Araújo, 2000, p. 89). Recebeu esse nome em função da grande quantidade de areia que se acumulava as margens do Rio Acaraú na altura da referida fazenda (Avelino, 2020, p. 52).
A Fazenda Areal era inicialmente uma faixa de terra de 900 braças (1,98 km) de comprimento, por 452 (994,4 m) de largura, entre as Fazendas Morrinho e Curralinho (Avelino, 2020, p. 52). Uma vez que a Fazenda Curralinho também pertencia a Mateus Mendes de Vasconcelos, é plausível supor que as terras vendidas ao seu filho foram um desmembramento dessa propriedade. Assim como a Curralinho, a sede da fazenda Areal originou uma localidade nos arredores de Morrinhos, de mesmo nome. Essa propriedade atravessou gerações, sendo dividida sucessivas vezes entre os herdeiros de Antônio Mendes, muitos dos quais preservaram o topônimo original.
Em 27 de agosto de 1795, Antônio Mendes de Vasconcelos ficou viúvo, contraindo no mesmo ano segundas núpcias com Teodora Ignacia de Menezes (Araújo, 2000, p. 89). Desse segundo casamento nasceram sete filhos, dentre os quais Rosa Maria da Conceição Vasconcelos, que se casou com José Ignácio de Vasconcelos em 3 de agosto de 1826. O casal, por sua vez, teve sete filhos, dentre eles Maria José Vasconcelos, nascida em 1828, esposa de Joaquim Coriolano da Rocha (Avelino, 2020, p. 58).
Assim, como nos informam os memorialistas João e Maria Silveira, Joaquim Coriolano da Rocha, nascido em 19 de janeiro de 1865, é filho de José Coriolano da Rocha, conhecido como “Cafim”, que, por sua vez, é originário de Santa Cruz, atual Bela Cruz, de onde teria vindo fixar residência em uma fração das terras da antiga Fazenda Areal, de mesmo nome, no ano de 1862 (Silveira e Silveira, 2009, p. 37-39). Sobre suas raízes em Bela Cruz, sabe-se os pais de José Coriolano eram Joaquim Coriolano da Rocha e Maria da Rocha.
Ademais, segundo Nicodemos Araújo, a Família Rocha passou a integrar a comunidade de Santa Cruz no último quartel do século XVIII, através dos irmãos Capitão José Alexandre da Rocha e Capitão Manoel Ferreira da Rocha, ambos filhos de Manoel Ferreira Fonteles Filho. José Alexandre casou-se com Maria Manoela de Vasconcelos, neta de Mateus Mendes de Vasconcelos, em 15 de novembro de 1795. Em 14 de julho de 1819, foi nomeado Comandante do Distrito de Santa Cruz, pelo então Presidente Manoel Inácio de Sampaio (Araújo, 1985, p. 38). Já Manoel, casou-se com Maria Joaquina da Conceição, neta de João Carneiro da Costa, em 13 de outubro de 1788.
Portanto, é bastante provável Joaquim Coriolano seja aparentado dos dois irmãos, suspeita que é corroborada pela existência de dispensas de consanguinidade entre José Coriolano e sua mulher, Francisca Benvinda de Maria que é trineta de Manoel Ferreira Fonteles Filho (Dispensas Matrimoniais 1880, Diocese de Fortaleza, p. 133, nº 8).
João e Maria Silveira aventam que Joaquim Coriolano teria adquirido de seu pai uma faixa de terra, junto a (nova) Fazenda Areal. Entretanto, em função dos intrincados laços de parentesco supracitados, também é plausível que essas terras tenham sido obtidas, ao menos em parte, por dote ou herança sua ou de sua mulher, Maria José Vasconcelos (Avelino, 2020, p. 58).
No inventário de Joaquim Coriolano, realizado em vida, em 1933, quando este tinha 68 anos, o proprietário teria distribuído entre os seus herdeiros terras num total de 715 braças (1,57 km) por 6 km de comprimento, cabendo a cada um de seus 9 filhos a porção de 65 braças (143 m). Além disso, doou 130 braças (286 m), na região central do povoado, para compor o patrimônio da Capela Sagrado Coração de Maria, a qual ele também teria ajudado a construir (Avelino, 2020, p. 47).
Atualmente, a antiga propriedade de Joaquim Coriolano da Rocha compreende grande parte da zona urbana do município de Morrinhos, assim como um bairro periférico denominado Areal, topônimo da Antiga Fazenda (Avelino, 2020, p. 59). Portanto, muitos o consideram fundador do município de Morrinhos (Silveira e Silveira, 2009, p. 47). Joaquim Coriolano da Rocha faleceu em 28 de junho de 1955, aos 90 anos de idade.
Descendência de Joaquim Coriolano da Rocha
Com Ana Benvinda de Jesus, com a qual casou em 24 de novembro de 1887, filha de Antônio Ferreira da Rocha e Maria Benvinda de Jesus:
1. José Ibiapina da Rocha, n. 12 de julho de 1892, c.c. Maria José da Rocha, filha de José Hermínio da Frota Vasconcelos e Maria Filomena Vasconcelos, em 30 de junho de 1911;
2. Manuel Artur da Rocha, n. ~1893, c.c. Maria José de Jesus, filha de João Peregrino da Rocha e Ana Amélia da Rocha, em 6 de novembro de 1920;
3. João Evangelista da Rocha, n. 28 de julho de 1893, c.c. Maria de Adelaide de Araújo, filha de Miguel Addis de Araújo e Francisca Adelina de Araújo Frota;
4. Antônio Coriolano da Rocha, n. ~1896, c.c. Maria Hermínia Soares, filha de Antônio Soares de Araújo e Maria José Soares, em 15 de julho de 1916;
5. Francisco Coriolano da Rocha, n. 11 de julho de 1897, c.c. Maria Iraci Vasconcelos Soares, filha de Francisco Raimundo Soares e Rira Amélia Soares em 11 de novembro de 1920;
6. Maria, n. 11 de março de 1899;
7. Miguel Aristides da Rocha, n. ~1899, c.c. Rita de Cássia Araújo, filha de Manoel Peregrino de Maria Vasconcelos e Maria Carmen de Araújo;
8. Maria José Vasconcelos, n. 11 de maio de 1902, c.c. Francisco Plínio Vasconcelos, filho de Manoel Capistrano de Vasconcelos e Maria da Natividade Peregrino, em 27 de junho de 1918;
9. Maria, n. 7 de janeiro de 1908;
10. Maria do Carmo Rocha, c.c. João Oquendo de Vasconcelos, filho de Manoel Capistrano de Vasconcelos e Maria da Natividade Peregrino;
11. Maria Maximina Rocha. c.c. Miguel Avelino de Vasconcelos, filho de Miguel Gervásio de Vasconcelos e Maria do Carmo Araújo.
ARAÚJO, Nicodemos. Município de Bela Cruz. Acaraú, 1985.
AVELINO, Fábio Júnior. Ocupação Colonial e Escravidão Negra nas terras que hoje fazem parte do Município de Morrinhos (1725-1889). Monografia. Sobral: Universidade Vale do Acaraú, 2020.

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