Esse texto busca reconstruir a história do Sítio Santa Cruz, propriedade seminal que deu nome a localidade que, mais tarde, se transformaria no município de Bela Cruz. Sua trajetória remonta ao sesmeiro Domingos de Aguiar e Oliveira, provavelmente fundador e primeiro proprietário da área. As terras lhe foram concedidas como sesmaria em 19 de agosto de 1726. Na petição de concessão consta que:
Diz Domingos de Aguiar de Oliveira morador na Ribeira do Acaracú que elle Suplicante descubrio na dita Ribeira citio de terras nas Ilhargas das terras de Niculáo da Costa, em hum corgo chamado dos tucuns que desemborca na Lagoa que chamão do matto, cujo corgo fica pella parte das terras do dito Niculão da Costa ao Sul, e a outra beirada pella parte do norte, e como elle Suplicante não tem terras Bastantes p.* criar seus gados a Sy vacuns como Cavallares, e plantar suas Lavouras, e estas de que fas mençans se acham devolutas e desaproveitadas sem serem pedidas de pessoa algúa, por tanto; Pede a vossa merce Seja Servido conçederlhe em nome de sua Magestade que Deos guarde por data e sismaria na parage a sima nomeada húa Legoa de terra de Comprido pello dito corgo asima, e a largura de meya Legoa de cada banda [...] (Sesmarias Vo. 11, nº 150, p. 235)
A Lagoa do Mato é um corpo hídrico localizado a cerca de três quilômetros da sede Bela Cruz, cujo topônimo faz referência ao significativo acúmulo de vegetação sobre suas águas (Aurélio, 2012, p. 38). Já o córrego que a alimenta remete a uma espécie de palmeira de onde são extraídas fibras utilizadas pelos povos tradicionais para a confecção de cordas e redes. A partir da descrição da sesmaria, tomando como referência o riacho do Tucuns e projetando meia légua para cada margem, perpendicularmente ao rio Acaraú, chega-se com notável precisão aos limites da atual sede municipal de Bela Cruz.
Ressalta-se que Domingos de Aguiar já residia em Santa Cruz antes de ter a data confirmada. Uma evidência nesse sentido é o registro de dois casamentos realizados na Fazenda Santa Cruz, alguns meses antes da concessão da sesmaria, em 25 de fevereiro de 1726:
O cura Pe. João da Costa Ribeiro está na Fazenda Santa Cruz onde assiste à cerimônia religiosa de dois casamentos: Um de José Ferreira da Fonseca, natural da cidade da Parahiba, filho legítimo de João Loureiro e Leonor Tavares, com a célebre mulata Andreza, filha de João de Sá e Joana de Sá, preta forra, moradores nesta freguezia. Serviram de testemunhas Domingos de Aguiar, Domingos de Sousa e Manuel da Guarda. Outro de Francisco Dias das Chagas, natural da freguezia de N. Sra. dos Prazeres de Mamanguape, filho de Manuel Dias e Joana Nunes, com Antônia Rodrigues, filha de Manuel Rodrigues e Joana Rodrigues. Serviram de testemunhas os mesmos do matrimônio anterior, além de Nicolau da Costa Peixoto (Liv. 1, fl . 100 apud Araújo, 2005, p. 112).
Esse registro é particularmente interessante, pois revela alguns daqueles que provavelmente foram os primeiros moradores da região.
O Patrimônio da Capela de Santa Cruz
Seis anos depois, em 12 de setembro de 1732, Domingos de Aguiar e seu vizinho Nicolau da Costa Peixoto — estabelecido, desde 1702, do Sítio Araticuns, atual localidade homônima — doaram meia légua de terra, quarenta vacas e seis éguas para compor o patrimônio da Capela de Nossa Senhora da Conceição. A escritura de doação, transcrita por Nicodemos Araújo (1967, p. 32), foi lavrada no próprio Sítio Santa Cruz.
Escriptura de duação que faz o Capitão Domingos d'Aguiar e Nicolau da Costa a Nossa Senhora da Conceição da Ribeira do Acaracú, etectera.
Saibão quantos este publico instrumento de duação como para sua validade e melhor nome e lugar haja a dizer se passou que sendo no anno do Nosso Senhor Jesus Christos de mil setecentos e trinta e dois annos, aos dose dias do mez de setembro do dito anno neste Sitio de Santa Cruz Ribeira do Acaracú termo da Villa de Fortaleza de Nossa Senhora da Assumpção Capitania do Ciará Grande, ahonde eu Tabellião ao diante nomeado fui vindo aqui sendo alli appareceu o capitão Domingos d'Aguiar e Nicolau da Costa, pessôas que reconheço pelos proprios do que se trata do que dou minha fé e faço menção por elles me foi dito em minha presença tistimunhas ao diante nomeadas que elles duavão como de facto logo duarão quarenta vacas e seis egoas e meia legua de terras que pega do norte da Capella para sima da Capella que elles ditos duadores fazem a Nossa Senhora da Conceição para que dos lucros dos ditos gados e bestas faça patrimonio da dita Capella, e mais que para ella lhe for necessário a qual duação fazia a dita Senhora da Conceição deste dia para todo o sempre sem constrangimento de pessoa alguma e sim do seo moto proprio e desde logo desistirão de todo puder e domínio que tinhão na dita terra e nos mais bens nomeados, por meio desta duação e pelos ditos duadores, foi dito que para fazer esta duação firme e valiosa obrigavão suas pessôas havidas e por haver e os mais bens amparados de sua fasenda e se compremetião a não vir em tempo algum contra este instrumento, que requeriam fosse feito nestas notas e mencionado ausente, a quem a favor deste possa tirar como pessôa publica estipulante e aceitante que o estipulei e aceitei, sendo presentes por testemunhas Luiz Martins Gonçalves e José Pereira pessôas que reconheço pelos proprios de que dou fé e que todos assignarão. Eu, Manoel d'Araújo Ferreira Tabelião de notas que o escrevi .
Domingos Aguiar d'OliveiraLuiz Martins Gonçalves
José Pereira Silva
O documento registra que os doadores entregavam "terras que pega do norte da Capella para sima da Capella", indicando que a Capela localizava-se na porção norte do terreno, que se estende meia légua rio acima, ou seja, para o sul. Essa informação ganha força quando comparada ao traçado urbano posterior de Bela Cruz, desenvolvido justamente sobre as chamadas “terras da santa”, áreas aforadas pela Igreja.
Tudo leva a crer que as terras doadas pertenciam integralmente à sesmaria de Nicolau da Costa Peixoto, enquanto os animais poderiam representar a contribuição de Domingos de Aguiar. Tal hipótese é coerente com a lógica econômica da época: os rebanhos possuíam elevado valor patrimonial, ao passo que a terra, abundante no sertão colonial, tinha valor relativamente reduzido.
O ano de 1732 é comumente aceito como sendo o de conclusão da capela, fato corroborado por uma "escritura no primeiro Livro da capela, de ordem do R. Dr. Visitador Manoel Machado Freire, no ano de 1747" (Cavalcante, 1909, p.167). Quanto a bênção da capela, existem duas versões, sendo a primeira delas a de que teria sido realizada ainda em 1732 pelo Padre Visitador Sebastião Vogado Souto Maior, missionou na Ribeira do Acaraú entre 26 de novembro de 1731, partindo de Almofala e chegando a São José (Patriarca) a 1º de janeiro de 1732 (Araújo, 2005, p. 133-134). Outra hipótese é de que a bênção teria sido realizada por um frade franciscano denominado apenas como Frei João de Maria, a 25 de março de 1733 (Araújo, 1935, p. 21).
De fato, a primeira menção explícita que encontrei sobre a capela refere-se ao dia 20 de maio de 1734. Trata-se do casamento dos mamelucos Paulo e Antônia Ferreira, assistido pelo Pe. Mestre Frei Luis Barreto e o termo é assinado pelo cura Pe. Isidoro Rodrigues Resplandes, tendo como testemunha Manoel Vaz Carrasco (Araújo, 2005, p. 148-149). Por outro lado, no registro de batizado de Maximiana, filha de Nicolau da Costa Peixoto, ocorrido em 8 de novembro de 1733, menciona-se apenas que ocorreu no Sítio de Santa Cruz, sem menção a capela, como pode ser visto abaixo.
A Falência de Domingos de Aguiar e Oliveira
Em 25 de fevereiro de 1739, Domingos de Aguiar teve sua falência decretada, ocasião em que seus bens foram sequestrados em razão de dívida contraída com Mateus Luís das Chagas (Araújo, 2005, p. 170). Poucos dias antes, em 19 de fevereiro, Nicolau Peixoto solicitara uma cópia da escritura de doação, alegando que "não estava assignado na dita escriptura mas fizera a duação na forma dita e que não se achou presente ao fazer da dita escriptura" (Araújo, 1967, p. 32). É plausível supor que buscasse assegurar a regularidade jurídica do patrimônio da capela, evitando que os litígios envolvendo o vizinho atingissem os bens da instituição religiosa.
Pouco mais de oito anos depois, em maio de 1747, Domingos faleceu, deixando viúva grávida de sua única filha, que acabaria órfã logo após nascer (Araújo, 2005, p. 159, 224). Seu inventário foi realizado em 2 de julho de 1749, na Fazenda Tucunduba, propriedade de Manoel Ferreira Fonteles, perante o Juiz de Órfãos Barnabé Vieira Coelho e o escrivão Manoel Matos Pessoa (Araújo, 2005, p. 235).
Não dispomos de mais detalhes sobre o que motivou a derrocada financeira de Domingos de Aguiar Oliveira. Entretanto, sabendo que sua riqueza advinha em grande parte da criação de gado, pode-se especular que os motivos da inadimplência estivessem ligados a problemas com a pecuária. Segundo o historiador Joaquim Alves, a primeira metade do século XVIII foi marcado por grandes secas, que se asseveraram, entre outros, nos biênios de 1736-1737 e 1745-1746 (Alves, 1953, p. 31). Portanto, não seria estranho imaginar que as perdas de rebanho causadas por esses eventos climáticos tenham colaborado para dilapidar o patrimônio do sesmeiro. Corrobora com isso o fato de Domingos ter morrido da serra dos cocos (atual Ipu), uma refúgio natural para o rebanho durante as estiagens.
A Divisão da Sesmaria
Não se sabe exatamente em que momento — se antes ou após sua morte — mas as terras da sesmaria de Domingos de Aguiar passaram para sua irmã, Maria Madalena de Sá e Oliveira, e para o marido desta, Manoel Vaz Carrasco, pais das chamadas Sete Irmãs. Alguns anos antes da morte de Domingos, o casal já havia se estabelecido na Fazenda Lagoa Seca, situada dentro da antiga sesmaria. O nome da propriedade se refere a outro corpo d'agua, desta vez temporário, que também dá nome a uma localidade situada onde se supõe ter sido a sede da antiga fazenda.
Após a morte de Carrasco, em 23 de novembro de 1753, Madalena vendeu parte dessas terras a seu genro, José de Araújo Costa, conforme consta em seu inventário, lavrado em 25 de setembro de 1792:
Hum quanto de terra de comprido, nas margens do rio Acaraú, com uma légua de largo, tudo da parte do nascente, de criar gado, pegando seu cumprimeénto das testadas das terras da Lagoa Grande, até extremar com terras da Fazenda Tapera que houve por compra à defunta sua sogra Dona Madalena de Sá e Oliveira, como constada escritura que apresentou passada pelo tabelião Antônio Carlos da Cunha, avaliado em 100$000 (cem mil réis). (Araújo, 2000, p. 161-162).
Também derivado da sesmaria de Domingos de Aguiar de Oliveira foi o Sítio Malassombrado, entregue como dote de casamento de Ana Maria de Vasconcelos, a sétima irmã, com Miguel do Prado Leão, filho de Cosme do Prado Leão e Luzia da Assunção de Oliveira, a 1º de novembro de 1753. Em seu inventário, feito em 9 de julho de 1771, consta “um quarto de légua de terra chamado Malassombrado, entre a Lagoa Seca e a Lagoa do Mato, avaliado em cem mil reis” (Araújo, 2005, p. 48, 355). Uma hipótese para esse topônimo inusitado é a existência de uma cruzinha na estrada que passa pela localidade, possivelmente indicando o túmulo de algum retirante das secas que teria sucumbido no local (Aurélio, 2024, p. 113).
O restante da Lagoa Seca, aqui entendida num sentido amplo, abrangendo todas as terras da sesmaria original, teria sido herdada ou recebida como dote por Maria Madalena de Sá, terceira das Sete Irmãs. Essa hipótese decorre de seu testamento, lavrado em 16 de março de 1743, no qual declarou possuir “dous citios de terra a saber huma legoa chamada Curral Grande e meya na Alagoa Sêca todos nesta Ribeyra do Acaracu” (Araújo, 2005, p. 201).
Maria Madalena casou-se em 20 de setembro de 1738 com o então coronel Francisco Ferreira da Ponte e Silva, com quem teve ao menos quatro filhos conhecidos, entre eles Pedro Ferreira da Ponte, batizado em 5 de junho de 1741. Tudo indica que Pedro herdou as terras maternas e posteriormente também as vendeu ao seu tio, capitão José de Araújo Costa. O inventário deste último menciona:
Meia légua de terra, de criar gado, de comprido, com meia de largo, nas margens do rio Acaraú, tudo da parte do poente, denominada Santa Cruz, cuja terra houve por compra ao Sargento-mor Pedro Ferreira da Ponte, como consta da escritura, que apresentou, passada pelo tabelião Antônio Carlos da Cunha, a qual pega o seu comprimento da esquina da Igreja Velha de Santa Cruz para baixo até o marco da lagoa do Mato, avaliada em 300$000 (trezentos mil réis) (Araújo, 2000, p. 161-162).
Aqui abro um parêntese para ressaltar um fato curioso, a menção a "Igreja Velha" sugere que a essa época, 1792, um novo templo já havia sido erguido na região em outro lugar, possivelmente já na localização atual. Mas isso parece contradizer a tradição, segundo a qual a mudança teria sido capitaneada por Frei Vidal da Penha, que esteve no Ceará apenas quatro anos depois, em 1796 (Araújo, 1967, p. 27).
Lagoa Seca ou Santa Cruz?
Para reforçar a hipótese de que Lagoa Seca era a denominação de todas essas terras da antiga sesmaria, recorre-se a Publicação Estudo do Remanejamento da Pecuária na Zona Norte do Ceará, que compila declarações feitas à Câmara de Sobral no ano de 1788. Nessa relação, o já mencionado Capitão José de Araújo Costa declarou possuir a Fazenda Lagoa Seca, com a seguinte descrição:
Duas léguas de terra na fazenda do dito rio Acaraú de comprido por uma outra parte do dito rio com légua de largo para cada banda que principia nas testadas das terras do patrimônio de Nossa Senhora da Conceição da capela da Santa Cruz e finda nas testadas dos herdeiros da defunta Dona Ana de Vasconcelos (Frota, 1974b, p. 108).
Nessa época, quatro anos antes da realização do inventário do Capitão, é provável que a fazenda já tivesse a mesma dimensão declarada. A citada D. Ana de Vasconcelos refere-se provavelmente a esposa de Manoel Pereira de Vasconcelos, filho primogênito de Manoel Carlos de Vasconcelos e Joana Correia da Silva, proprietários da Fazenda Cruz. Seu nome de solteira era Anna Maria da Conceição, sendo neta do Coronel João Vieira Passos, que fora proprietário da Fazenda Tapera.
O "Novo" Sítio Santa Cruz
A partir desse ponto, a documentação se torna fragmentária. Mais de 60 anos separam o inventário de José de Araújo Costa das informações posteriores sobre a posse do antigo Sítio Santa Cruz. Com base na cartografia atual é possível identificar que a área correspondente à antiga propriedade — meia légua a partir da antiga igreja de Bela Cruz, situada no Alto da Genoveva — abrange as localidades de Timbira e Tabubas. Segundo o pesquisador Marcos Aurélio, o topônimo Timbira ou Tibira, é uma expressão utilizada para denominar vacas leiteiras de baixa produção (Aurélio, 2012, p. 42). Já Tabuba é o nome popular de uma planta aquática comum em áreas de brejo ou ainda, do tupy, água que desagua nas pedras.
No livro de registro de terras da Freguesia da Barra do Acaraú, levantamento realizado entre os anos de 1855 e 1857, constam proprietários dessa região, Manoel de Araújo Costa, casado com Luduvina Jesuína de Araújo Costa, filho e neta do Capitão Diogo Lopes de Araújo Costa, filho de José de Araújo Costa; e Francisco Joaquim da Silveira [1]. Portanto, deduz-se que ao menos parte das terras de Santa Cruz foram herdadas pelo Capitão Diogo Lopes, que a repartiu entre seus herdeiros.
O Capitão foi uma figura ilustre na região, residindo na Lagoa do Mato, onde atuava como médico prático. Também foi uma liderança comunitária, tendo sido eleito vereador da Câmara de Sobral, caminho seguido por vários de seus filhos. Confirmando essa hipótese, em 18 de junho de 1817, Diogo Lopes recebeu uma sesmaria no Riacho da Prata, justaposta a suas terras, tendo como confrontantes "[...] pela parte do nascente, com terras da Cruz, Lagoa Seca e Malassombrado, de Francisco Antônio Linhares, do mesmo Termo de Sobral e com a dita Lagoa do Mato do suplicante" (Sesmarias Vol. 13, p. 325).
O supramencionado Francisco Antônio Linhares, assim como sua mulher e prima legítima, Maria Manuela da Conceição Uchoa, eram netos de Manoel Vaz Carrasco, filhos de Inês Madeira de Vasconcelos (4ª irmã) e Rosa de Sá e Oliveira (5ª irmã), respectivamente. Aparentemente, elas também receberam terras da Lagoa Seca e Malassombrado, as quais foram transmitidas aos seus descendentes. No levantamento de 1855, constam como donos dessas terras, além de descendentes do Capitão Diogo Lopes (Manoel de Araújo Costa Junior e Estêvão Ribeiro de Araújo Costa), o Capitão Inácio Gomes Parente, genro de José de Araújo Costa. Aparecem ainda como proprietários, Antônio Alves da Rocha (Malassombrado) e Antônio Ferreira da Rocha (Lagoa Seca).
Século XX
Ademais, consultando os nomes dos antigos proprietários dessas localidades no censo agropecuário de 1920, conclui-se que nessa época a Timbira pertencia a família Fonteles (João Batista Fonteles [tio] e Emílio Fonteles da Silveira [sobrinho]) e Tabubas a família Leitão (João Facundo Leitão [pai], Francisco Álvaro Leitão [filho], Modesto Euclides Leitão [filho] e Manoel Zacharias Adriano [genro], casado com Maria Luiza Leitão). No mesmo censo, consta também propriedades que preservam o nome Santa Cruz, pertencentes a família Silveira (João Batista Silveira e Manoel Pereira da Silveira), intimamente relacionada a família Fonteles.
O estudo genealógico dessas famílias conduz, invariavelmente, à figura de Pedro de Araújo Costa, irmão do capitão José de Araújo Costa. Os Fonteles descendiam de Miguel Ferreira Fonteles e Ana Joaquina da Silveira, neta de Pedro de Araújo; os Leitão, por sua vez, descendiam de João Facundo Leitão e Maria do Carmo de Araújo, bisneto e trineta do mesmo personagem. Dessa forma, tudo indica que outra parte do antigo Sítio Santa Cruz acabou transferida para Pedro de Araújo Costa, sendo posteriormente fragmentada entre seus descendentes ao longo das gerações.
27 de maio de 2026
Referências
ALVES, Joaquim. História das secas (séculos XVII a XIX). Edições do Instituto do Ceará, 1953.
ARAÚJO, Pe. Francisco Sadoc de. Raízes Portuguesas do Vale do Acaraú. 2ª edição. Sobral: Edições UVA, 2000.
ARAÚJO, Pe. Francisco Sadoc de. Cronologia Sobralense- Séculos XVII e XVIII- 1604-1800. 2ª edição. Volume 1/ Fortaleza: Edições ECOA, 2005.
ARAÚJO, Nicodemos. Santa Cruz do Acarahú. Acaraú, 1935.
ARAÚJO, Nicodemos. Bela Cruz: De Prédio Rústico a Cidade. Edições A Fortaleza. Fortaleza, 1967.
AURÉLIO, Marcos. Bela Cruz: Seus Incríveis Topônimos. Bela Cruz: Gráfica Nova Cruz, 2012.
AURÉLIO, Marcos. Aureliando: A Enciclopédia Regional. Bela Cruz: FMR Publicações, 2024.
CAVALCANTE, José Vicente Franca. Notas para a História de Sobral. Revista do Instituto do Ceará, v. 23, p. 160-78, 1909.
FROTA, D. José Tupinambá da Frota. História de Sobral. Fortaleza: Editora Henriqueta Galeno, 1974.
FROTA, Luciara S. Aragão (Org). Estudo sobre o Remanejamento da Pecuária na Zona Norte do Ceará. Fortaleza: SUDEC, 1974b, 2 volumes.
[1] Livro de Registro de terras da Barra do Acaracú (1855 a 1857). Fundo: Vigários das Freguesias do Ceará. Livro 01. Registro nº 695. Caixa 01. Arquivo Público do Estado do Ceará (APEC).


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