A Fazenda Bahia de Antônio Coelho de Albuquerque

Antônio Coelho de Albuquerque nasceu por volta de 1720 em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, filho de Pedro Coelho Pinto, natural de Monte-mor, Portugal, e de Dona Romualda Cavalcante de Albuquerque, natural de Goiana. Mudou-se para a Ribeira do Acaraú ainda jovem, casando-se com Joana Teixeira de Morais, filha do Tenente Coronel Manoel Pereira Pinto e de Floriana Coelho de Moraes, a 6 de setembro de 1745 na Matriz de Amontada

O casal fixou-se na Fazenda Bahia, no município de Santana do Acaraú, onde hoje localiza-se o distrito de mesmo nome, criado pela Lei Estadual nº 11.659, de 28 de dezembro de 1989. De lá, o Capitão Antônio Coelho de Albuquerque foi pessoa influente em toda a Ribeiro do Acaraú, sendo patriarca e líder de uma numerosa descendência (Araújo, 2005, p. 347).

No campo religioso, juntamente outros grandes proprietários da região, como Sebastião de Sá, Antônio de Sá, Manoel Ferreira Fonteles, Jerônimo de Albuquerque e Cláudio de Sá, colaborou para a construção da Capela de Sant’Ana do Olho d’Água, inaugurada em 1739. A obra foi idealizada pelo padre Antônio Silveira, de quem Antônio Albuquerque era próximo e de quem assumiu a administração do patrimônio após sua partida em 1751 (Município de Sant’Ana, 1926, p. 68, 81).

A 10 de julho de 1763 falece D. Joana Teixeira de Morais, deixando em seu inventário as seguintes propriedades:

Meia légua de terra no sítio chamado Bahia, beira do rio Acaraú da parte do nascente que extrema da parte de baixo com a fazenda do Morro do Coronel Matias da Silva Bonito e da parte de cima com Francisco Lourenço Gomes para a parte do nascente com meia légua de largo, avaliada em 2008000 rs; Um sítio de terra no riacho das cacimbas com duas léguas e três quarto que testa com terra do coronel Manoel Pereira Pinto, de sul a norte, de onde se encher as ditas duas léguas e três quartos riacho acima conforme o trato da escritura, avaliada em 250$000 rs; Um pedaço de terra de plantar na serra da Meruoca, avaliado em 15$000 rs. [1]

As terras que ficaram para o seu marido, de acordo com a partilha feita no inventário, continuavam sendo administradas por ele, pois declarou à Câmara da Vila de Sobral, em 1788, que era dono da fazenda Baia, do sítio Pau Caído no riacho das Cacimbas e de 150 braças de terras na Meruoca (Souza, 2015, p. 148). O sítio Pau Caído localiza-se vizinho ao Bahia, também em Santana, e sua sede também originou uma localidade de mesmo nome. O memorialista Manoel de Castro Carneiro, nos explica o motivo desse curioso topônimo:

Há muitos e muitos anos, quando os campos eram imensos e sem dono, ou pelo menos sem muitos donos, por ali, às margens do valente riacho Cacimbas, corriam os vaqueiros nas suas loucas tropeladas à cata dos barbatões. E num´desses dias, depois de luta incessante atrás do marrudo novilhote, conseguiram laçá-lo já quase noite, Pressentindo que não alcançariam o destino ainda com o claro do dia, mascararam e entamancaram o bicho, amarrando-o em seguida num enorme pau caído. Ao chegarem em casa informaram ao patrão que o bicho ficara preso perto do riacho Cacimbas, num morrote onde havia um grande pau caído. E a referência ficou (Carneiro, 1978, p. XVIII).

Ainda segundo a mesma declaração de 1788, nestas propriedades, Antônio de Albuquerque criava gado, plantava mandioca, feijão, milho e algodão. Das 400 cabeças de gado, 30 reses estavam próprias para abate em açougue e foram vendidas na Barra do Acaraú. Além do gado vacum, contava com 39 cavalos e 320 de caprinos, totalizando 759 animais, além de um plantel de sete escravos, valor acima da média para a região  (Souza, 2015, p. 149; Pinheiro, 2008, p. 147).

Após a morte da primeira esposa, Antônio Coelho de Albuquerque casa em segundas núpcias com Dona Maria da Conceição do Bonfim, filha de Gabriel Leitão Pacheco e Dona Mariana Messias de Meneses, a 30 de março 1769, assistido pelo Pe. Inácio Gonçalves, cura de Amontada (Liv. Cas. Itapipoca, nº a, fl. 46).

Além de seu destaque como criador, Antônio Coelho de Albuquerque assumiu cargos importantes nos primeiros anos da ocupação da região. No campo militar, chegou a patente de Capitão de Granadeiros do Terço de Auxiliares do sertão do Acaraú, da Capitania do Ceará (Lima, 1997). Em 9 de julho de 1774 foi eleito, juntamente com o Coronel Jerônimo Machado Freire, Juiz Ordinário da Vila de Sobral, com mandato para o ano seguinte (Araújo, 2005, p. 377).

A Descendência de Antônio Coelho de Albuquerque

Como dito anteriormente, o Capitão Antônio Coelho de Albuquerque deixou grande descendência na região, totalizando dezesseis filhos entre os dois casamentos. Do primeiro matrimônio com Joana Teixeira de Morais, filha de Manoel Ferreira Pinto e Floriana Coelho de Morais, teve dez filhos:

1. Floriana Coelho de Albuquerque, c.c. Francisco Xavier Pereira Dutra, filho de João da Silveira Dutra e Maria Soares, sua primeira mulher, a 19 de setembro de 1771, na Capela de São José.

2. Ana Maria de Albuquerque, c.c. Manoel Pereira Dutra, filho de João da Silveira Dutra e sua primeira mulher Maria Soares, a 8 de novembro de 1771, na Fazenda Baia.

3. Pedro Coelho Pinto (neto), c.c. Maria Soares da Silveira Dutra, filha de João da Silveira Dutra e sua primeira mulher Maria Soares, a 27 de setembro de 1777, na Capela de Santana.

4. Inácio Francisco Xavier de Albuquerque, c.c. Joana Maria do Monte, filha de João Pereira da Silva e Quitéria de Sousa, a 30 de setembro de 1777, na Fazenda Baia.

5. Manoel de Araújo Cavalcante, c.c. Maria do Espírito Santo, filha de João Pereira da Silva e Quitéria de Sousa, a 2 de dezembro de 1775, na Matriz de Sobral.

6. João Luis da Serra, c.c. Manoela Marques da Conceição, filha de João Pereira da Silva e Quitéria Maria de Sousa, a 19 de junho de 1789, na Fazenda Baia.

7. Joana Teixeira de Morais Coelho, c.c. José Henriques de Araújo, filho de Cláudio de Sá Amaral e Maria da Cunha Araújo, a 19 de setembro de 1768, na Fazenda Baia.

8. Joaquim Coelho de Albuquerque, c.c. Rita Francisca do Nascimento, filha de Antonio José Marinho e Barbara Maria de Jesus, a 20 de junho de 1785, na Matriz de Sobral.

9. Quitéria Coelho de Morais, c.c. Gabriel Soares Monteiro, filho de Caetano Soares Monteiro e Luiza Ferreira Fonteles, a 26 de novembro de 1778, na Fazenda Pau-Caido.

10. Maria da Assunção Albuquerque, c.c. Antonio Alvares de Sá, filho de Antonio Alvares de Sá e Isabel de Barros, a 27 de junho de 1773, na Capela de São José.

Do segundo matrimônio com Maria da Conceição do Bonfim, nasceram:

11. Cel. José Mariano de Albuquerque Cavalcante, que foi Governador do Ceará e político de projeção, c.c. Francisca das Chagas Pessoa, filha do Cap. Manoel José do Monte e sua 22 mulher Ana América Uchoa, a 11 de fevereiro de 1789, no sítio Frecheiras, sobre a Serra da Meruoca.

12. João Pinto Nepomuceno Bezerra Cavalcante, c.c. Caetana Gomes da Frota, filha do Cap. Felipe Gomes da Frota e Josefa Maria de Jesus, a 22 de fevereiro de 1793, na Capela de São José.

13. Francisca Vicência do Espirito Santo, c.c. Manoel Vitoriano da Frota, filho do Cap. Felipe Gomes da Frota e Josefa Maria de Jesus, a 9 de setembro de 1799, na Matriz de Sobral, em presença do Frei Vital da Penha.

14. Gabriel Teles de Meneses, c.c. Maria da Conceição Gomes Frota, filha do Cap. Felipe Gomes da Frota e Josefa Maria de Jesus, a 9 de outubro de 1797, na Matriz de Sobral.

15. Maria Vicência do Espirito Santo, c.c. Inácio Furtado de Mendonça, filho de Antonio Furtado dos Santos e Ana Maria da Conceição, a 20 de novembro de 1799, na Matriz de Sobral.

16. Mariana Angélica de Albuquerque, c.c. Manoel Lourenço Gomes, filho de Francisco Lourenço Gomes e Suzana Maria de Araújo, a 23 de setembro de 1793, na Fazenda Baia.


Diego Carneiro

06 de outubro de 2025

Como citar esse texto:

CARNEIRO, Diego. A Fazenda Bahia de Antônio Coelho de Albuquerque. História e Genealogia do Baixo Acaraú [recurso eletrônico]. Fortaleza, 06 de outubro de 2025. Disponível em: https://genealogiabaixoacarau.blogspot.com/2025/10/faz-bahia-antonio-coelho-albuquerque.html

Referências

CARNEIRO, Manoel de Castro. Crônica da Casa dos Carneiro. Editora do Escritor, 1978

LIMA, Francisco Augusto. Árvore de Costado Família Telles de Menezes. Famílias Cearenses [recurso eletrônico]. 20 de junho de 1997. Disponível em: https://familiascearenses.com.br/?view=article&id=88

PINHEIRO, Francisco José. Notas sobre a formação social do Ceará, 1680-1820. Fundação Ana Lima, 2008.

SOUZA, Raimundo Nonato Rodrigues de. “Minha Riqueza é Fruto do meu Trabalho”: negros de cabedais no Sertão do Acaraú (1709-1822). 2015. 223 f. (Tese Doutorado).

[1] Inventário post-mortem de Joana Teixeira de Moraes, 1763, caixa 09. NEDHIS/UVA.

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