De João Carneiro da Costa a Geraldo Frederico Carneiro

Imagem plausível de Manoel Carneiro da Costa (1744-1811).

Esse artigo busca documentar a descendência de João Carneiro da Costa, genearca dos Carneiro do Vale do Acaraú até este que vos escreve. Tenente João Carneiro da Costa, filho de Diogo da Costa Calheiros e Joana Carneiro Brito era natural de Santo Amaro do Jaboatão, Pernambuco. Mudou-se para a Ribeira do Acaraú na primeira metade do Século XVIII, casando-se com Theresa de Jesus Vasconcelos, natural da Paraíba, filha de Cosme Frazão de Figueroa e Maria Coelho de Vasconcelos. Tiveram os seguintes filhos (Araújo, 2005, p. 211):

1. Manoel Carneiro da Costa, c.c. Rosa Maria da Conceição, filha de Mateus Mendes de Vasconcelos e Maria Ferreira Pinto, a 9 de janeiro de 1766.

2. Maria Teresa de Jesus, que se casou duas vezes. A primeira, com João da Fonseca Alvares, filho de João da Fonseca Alvares e Maria Alvares, a 15 de fevereiro de 1773. A segunda, com seu primo legítimo Antonio Gomes de Albuquerque, fi lho de Caetano Gomes da Silva e Francisca Maria de Vasconcelos, a 21 de julho de 1781.

3. Ana, que faleceu em tenra idade a 26 de julho de 1758.

João Carneiro da Costa faleceu a 25 de maio de 1758, conforme seu registro de óbito (abaixo). Eram proprietários e residentes da Fazenda Sapó, hoje localidade de Santana do Acaraú (Araújo, 2005, p. 210).

Registro de Óbito de João Carneiro da Costa, 1758 [1].

Transcrição:

Aos vinte e cinco dias do mês de maio de mil setecentos e cincoenta e oito faleceo da vida presente, de doença que Deos lhe deo, o Tenente João Carneiro da Costa, homem branco, casado, morador nesta Freguezia, confessado, sacramentado e ungido, com seo testamento sem aprovação e como este ad causas pias inda que não seja aprovado sempre tem vigor e muita força conforme o Direito ensina, por isso aqui expresso o que deixou se fizesse primeiramente. Deixa por seus testamenteiros a Zacarias de Sousa Marinho, à sua mulher Dona Theresa de Jesus e ao seo sogro Cosme Frazão de Figueroa. Deixa por sua alma um officio de corpo presente, doze missas também de corpo presente e mais cinco capellas de missas: três por sua alma, duas por alma de seo pai e huma por alma de sua mãe. Item deixa uma festa com missa cantada e sermão à gloriosa Santa Anna, na sua capela, nesta freguezia. Item depois de cumpridos seos legados e pagas suas dívidas, seos filhos serão seos universais herdeiros. Foi envolto em hábito franciscano e enterrado nesta Igreja Matriz, encomendado por mim, de que fiz este termo em que me assigno. Manoel da Fonseca Jayme, cura do Acaracu.

Ajudante Manoel Carneiro da Costa

João Carneiro da Costa e Thereza de Jesus Vasconcelos foram pais do Ajudante Manoel Carneiro da Costa, nascido em 1744, que, por sua vez, casou-se com Rosa Maria da Conceição Vasconcelos, filha do Capitão Mateus Mendes de Vasconcelos e de Maria Ferreira Pinto Brandão, a 9 de janeiro de 1766 (Figueiredo, 2010, p.55). Foram pais de:

1. Antônio Carneiro da Costa, n. 10/11/1766, b. 17/11/1766, casou-se duas vezes. A primeira com Ana Bezerra de Araújo (n. 1781, f. 28/09/1823 na Serrota), filha de Inácio Bezerra de Menezes e Maria Madalena, a 21/09/1797. E a segunda com Luzia de Araújo Costa, filha de Custódio de Araújo Costa e Barbara Maria da Soledade;

2. Alberto Ferreira da Costac.c. Rita Teresa de Jesus (n. 07/03/1780, b. 14/05/1780 na Tucunduba), filha de Manuel Ferreira Fonteles Filho e Ana Maria da Conceição, a 22/08/1806;

3. Vicente Carneiro da Costa, n. 04/10/1768, b. 09/11/1768, c.c. Rita Joaquina de Jesus, filha de Francisco Manuel de Araújo e Teresa Maria de Jesus, a 16/02/1801;

4. José Carneiro da Costa, c.c. Maria Teresa de Jesus, filha de João Gomes de Albuquerque e Antônia Francisca de Araújo, a 17/05/1801, na Matriz;

5. Maria Carneiro da Costa, n. 20/08/1770, b. 27/10/1770;

6. Joaquim Carneiro da Costac. na Capela de Santana c. Maria Lourença, filha do Ajudante Manuel Lourenço da Costa e Ana Maria da Conceição, a 31/05/1804;

7. Manoel Carneiro da Costafal. em 10/10/1814 e foi casado três vezes. A primeira com Francisca Maria de Jesus, filha de Manuel Lourenço da Costa e Rita Ferreira de Jesus. A segunda com Teresa Maria de Jesus, filha de Manuel Ferreira da Rocha e Maria Joaquina. A terceira com Isabel Maria do Carmo, irmã da precedente.

Em 1788, o Ajudante Manoel Carneiro da Costa declarou a Câmara de Sobral ser proprietário da Fazenda Sapó, as margens do Rio Acaraú, com a seguinte descrição: "Uma légua de terra de comprido, com meia de largo, para uma só banda do dito rio que principia com as terras das pedras de gado e finda com as terras do Olho D'Água" (Frota, 1974, p. 110). Na mesma ocasião declarou possuir 678 cabeças de gado, vacum e cavalar, implementos agrícolas diversos, como carros, machados, foices, etc., além de dez escravizados. Também informou a venda de gado no Porto de Itapagé a Manoel Rodrigues.

Possuíam ainda a Fazenda Serrote, descrita como tendo "Duas léguas de terras de comprido... por uma só banda, no Riacho das Rolas, que principia com as terras do Capitão Antônio Coelho de Albuquerque e finda com as terras do Tenente Inácio da Cunha de Araújo" (Ibidem, p. 111). Nas duas propriedades, declarou plantar 15 mil covas de mandioca, uma quarta de milho e uma quarta de feijão, para consumo próprio, e sessenta braças de algodão.

O Ajudante Manoel Carneiro da Costa faleceu a 17 de dezembro de 1811, com 66 anos, e foi sepultado na Igreja Matriz de Sobral (Araújo, 2005, p. 60).

Capitão Manoel Carneiro da Costa

Manoel e Rosa foram pais do Capitão Manoel Carneiro da Costa, nascido em dezembro de 1779, conforme termo de batismo abaixo. Manoel casou-se três vezes, a primeira com Francisca Maria de Jesus, filha de Manoel Lourenço da Costa e Sebastiana Inácia Ximenes de Vasconcelos. A segunda com Teresa Maria de Jesus, filha do Capitão Manoel Ferreira da Rocha e Maria Joaquina da Conceição. E a terceira com Isabel Maria do Carmo, irmã de sua segunda esposa.

Termos de Batismo de Manoel Carneiro da Costa, 1780 [2].

Transcrição:

Manoel, filho legítimo de Manoel Carneiro da Costa e de sua mulher, Rosa Maria da Conceição, naturais e moradores desta Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Sobral, neto paterno de João Carneiro da Costa e sua mulher, Dona Thereza de Jesus, naturais da Paraíba, e materno de Mateus Mendes Vasconcelos, natural de Bastos do Rac... de Braga, e de sua mulher, Maria Ferreira Pinto Brandão, desta freguesia, nasceu em dias do mês de dezembro do ano passado e foi batizado em santos óleos a dez de janeiro deste ano de mil setecentos e oitenta, nesta igreja Matriz, pelo Padre Coadjutor Antônio Jácome Bezerra de... foram padrinhos Pedro Enez (?) da Rocha Ribeiro, solteiro, e Dona Paula Josefa..., mulher d Antônio... moradores desta freguesia, do que para constar fiz este termo que assino. João Ribeiro Pessoa.

No inventário de Manoel Carneiro da Costa, aberto em 1848, consta a relação de seus filhos legítimos. Do primeiro casamento, constam:

1. Ana Francisca da Conceição, c.c. Vicente da Costa Carneiro, filho do Tenente José Carneiro da Costa e Maria Teresa de Jesus, em 15 de julho de 1827;

2. Maria Thereza de Jesus, c.c. Manoel Mendes da Costa, filho do Tenente José Carneiro da Costa e Maria Teresa de Jesus, em 14 de julho de 1827;

3. Rosa Maria da Conceição, c.c. Antônio da Costa Carneiro, filho de Manoel Ferreira da Costa e de Anna Thereza de Jesus;

4. Maria Thereza da Conceição, c.c. José Carneiro da Costa Silva, filho do Tenente José Carneiro da Costa e Maria Teresa de Jesus, em 17 de fevereiro de 1833;

Do segundo matrimônio, constam:

5. Frederico Carneiro da Costa, c.c. Maria Tereza de Aragão de Vasconcelos, filha de José Ximenes de Vasconcelos e Maria Joaquina da Conceição, em 13 de maio de 1842;

6. Carlota Maria da Conceição, c.c. Manoel Zeferino da Ponte, filho de José Ferreira da Ponte e Maria da Ressurreição Viana, em 25 de junho de 1835;

7. Carolina Maria da Conceição, c.c. Manoel Mendes da Costa, filho do Tenente José Carneiro da Costa e Maria Teresa de Jesus, em 14 de julho de 1827;

Do terceiro matrimônio, constam:

8. José da Costa Carneiro, n. 4 de abril de 1826, c.c. Maria José do Carmo Menezes, filha Tenente José Carneiro da Costa Junior e Ana Theodora de Menezes;

9. Joaquim da Costa Carneiro, n.  22 de abril de 1827;

10. Brasiliano, n. 17 de abril de 1831;

11. Manoel, n. ~1836;

12. Francelina Cristina Carneiro, c.c. Joaquim Alves Cavalcante, filho de Gabriel José de Holanda Cavalcante e Joaquina Madeira de Vasconcelos, em 3 de novembro de 1858;

13. Biza, n. ~1838;

14. Maria, n. ~1838;

15. Constança*, n. ~1832;

16. Joaquina, n. ~1823, faleceu aos 7 anos de idade em 1830*;

Constam ainda no inventário de Manoel Carneiro da Costa, as seguintes propriedades rurais: Fazenda Sapó, Sitio Araticum, Mucuripe, Espinhos, Várzea Redonda e Olho d'Água do Bois e Santa Quitéria. No testamento de Isabel Maria do Carmo, terceira esposa de Manoel, esta declarou possuir "esta casa de morada onde habito com uma posse de terra que denomina Sapó Velho, uma posse de terra no lugar Pedra Redonda da Freguesia do Acaraú..." (fl. 2).

Escravizados de Manoel Carneiro da Costa, em 1848:

  • Vicente, n. ~1831, cabra, avaliado em 350$000 (trezentos e cinquenta mil réis);
  • Laura (?), n. ~1824, cabra, avaliada em 400$000 (quatrocentos mil réis);
  • Margarida, n. ~1826, cabra, avaliada em 350$000 (trezentos e cinquenta mil réis);
  • Thereza, n. ~1842, cabra, avaliada em 180$000 (cento e oitenta mil réis);
  • Joaquina, n. ~1847, cabra, avaliada em 100$000 (cem mil réis);

*Citadas apenas no inventário da mãe, a terceira esposa de Manoel.

Frederico Carneiro da Costa

Frederico Carneiro da Costa foi o primeiro filho do segundo matrimônio do Capitão Manoel Carneiro da Costa, com Thereza Maria de Jesus. Frederico se casou com Maria Thereza de Jesus, filha de José Ximenes de Aragão e Marina Joaquina da Conceição, em 13 de maio de 1842 (abaixo).

Termo de Casamento de Frederico Carneiro da Costa e Maria Thereza de Jesus, 1842 [3].

Transcrição:

"Aos treze de maio de mil oitocentos e quarenta e dois, na Matriz de Santanna, com assistência do Rev. Padre Antônio dos Santos de Andrade e das testemunhas Manoel Mendes Carneiro e Manoel Joaquim de Vasconcelos... de os nubentes em matrimônio Frederico Carneiro da Costa, filho legítimo de Manoel Carneiro da Costa e de Thereza Maria de Jesus, com Maria Thereza de Jesus, filha legítima de José Ximenes de Aragão e de Maria Joaquina da Conceição, tudo procedendo as formalidades... logo receberão os banhos do que para constar fiz esta que assino."

Consta no Livro de Registro de Terras da Freguesia de Santana 1857-1859, as seguintes propriedades declaradas por Frederico Carneiro da Costa: "três posses de terras mestiças, uma no Cipoal e duas em Santa Rita, desta Freguesia" (nº  356, fl. 41), e "uma posse de terra nas Intans e outra na Serra do Mucuripe, no Sitio do Engenho, desta Freguesia" (nº 358, fl. 41). Acredita-se que ao menos parte da Fazenda Intans tenha sido recebida como dote, uma vez que consta uma menção a uma casa nesse local no inventário de José Ximenes de Aragão, integrou outrora a Fazenda Tucunduba de Manoel Ferreira Fonteles. Ximenes de Aragão declarou também possuir duas posses de terras nos Espinhos (nº 741, fl. 79v.).

Antônio Frederico Carneiro

Segundo o Prof. Daniel Caetano Figueiredo, esses foram pais de Antônio Frederico Carneiro (Figueiredo, 2010, p. 78). No Censo Agropecuário de 1920, ele ainda consta como proprietário da Fazenda Intans, em Sant'Anna, hoje localidade do município de Morrinhos (Brasil, 1920, nº 95, p. 220). Antônio casou-se com Maria José Carneiro [Vasconcelos, quando solteira], pais de Raimundo Frederico Carneiro, nascido em 1888, como consta no arrolamento de bens de sua mãe.

Nessa ocasião foram declarados os seguintes bens:

"Sessenta e três braças de terra dita Ribeira do Acaraú, légua denominada Espinhos, deste termo, havidos pela arrolante por herança de sua por herança de sua falecida mãe e sogra, Dona Maria Thereza de Jesus, antes da promulgação do Código Civil. / Uma casa de tijolo e telha com duas portas e com janela de frente, localizada no lugar Intans, deste termo. / Sant'Anna, 31 de outubro de 1935 / Antônio Frederico Carneiro" [4, fl. 4].

Corroborando o que foi dito antes, o trecho em destaque mostra que Maria Thereza de Jesus, esposa de Manoel Carneiro da Costa, era sogra de Maria José, portanto, mãe de Antônio Frederico Carneiro. A Fazenda Espinhos pertenceu a Manoel Ferreira da Rocha, avô materno de Frederico Carneiro da Costa (Araújo, 2005, p. 410).

Arrolamento de Bens de Maria José Vasconcelos, 1935 [4].

Transcrição:

"Relação de bens e dos herdeiros de Dona Maria José Carneiro, falecida nesta terra com 60 anos de idade e casada que era com Antônio Frederico Carneiro pelo regime de comunhão, cujo falecimento ocorreu no lugar Espinhos, aos 23 de julho de 1930, sem que a mesma deixasse testamento. / Filhos / 1º) Raymundo Frederico Carneiro, casado... 47 anos de idade, residente no lugar Córrego, deste termo."

Raimundo Frederico Carneiro

Raimundo casou-se com sua prima legítima Sancha Carneiro da Costa [ou Vasconcelos], filha José Frederico Carneiro e Maria do Livramento Vasconcelos, a 9 de setembro de 1908, na Capela da Mutambeira (baixo) e, três anos depois, em 30 de junho de 1911, fez o registro civil no Cartório de Morrinhos. No termo de casamento, consta que Raimundo era criador e que o casal morava na Fazenda Salgado.

Essa propriedade pertenceu ao Capitão Mateus Mendes de Vasconcelos, conforme declarou a Câmara de Sobral em 1788: "meia légua de terra de comprido por uma de largo para uma só banda do Rio Acaraú, que principia com as terras do filho Manuel Francisco de Vasconcelos [Marco] e finda com as terras do Capitão Manoel Ferreira Fonteles no sítio denominado" (Frota, 1974, p. 445). Essa fazenda passou ao seu filho, Manoel Francisco de Vasconcelos, trisavô da mãe de Sancha (Araújo, 2005, p. 337).

Casamento de Raimundo Frederico Carneiro e Sancha Carneiro da Costa, 1908 [5].

Transcrição:

"Aos nove de setembro de de mil novecentos e oito, na Mutambeira, da Freguesia de Sant'Anna, do Bispado do Ceará, em minha presença compareceram Raimundo Frederico Carneiro e Sancha Carneiro da Costa, em tudo habilitados e sem impedimento, os quais receberam por marido e mulher e logo lhes dei as bençãos nupciais. Sendo testemunhas José Adriano Ferreira e José Ferreira Maranhão. E para constar, fiz esse assento que assino. O Vigário Francisco Theótime de Maria Vasconcelos".

Casamento Civil de Raimundo Frederico Carneiro e Sancha [6].

Transcrição:

Aos trinta dias do mês de junho de mil novecentos e onze, pelas oito horas da manhã, nesta povoação de Morrinho do Termo de Sant'Anna da povoação do Acarahú do Estado do Ceará, no cartório do registro civil, presente o Juiz de casamentos deste distrito... José Hermínio de Vasconcelos, comigo escrivão do registro civil e as testemunhas Francisco Bento de Vasconcelos e João Aurélio da Vera Cruz e excelentíssimas senhoras Dona Maria José de Vasconcelos e Maria do Carmo Oquendo de Vasconcelos, receberam-se em matrimônio Raymundo Frederico Carneiro, de vinte e três anos de idade, filho legítimo de Antônio Frederico Carneiro e de Maria José de Vasconcelos, criador natural da Freguesia de Sant'Anna, criados e residentes na Fazenda Salgado, e Sancha Carneiro de Vasconcelos, com vinte e cinco anos de idade, filha legítima de José Frederico Carneiro e de Maria do Livramento Vasconcelos, serviço doméstico, natural da Freguesia de Santana, moradora no Salgado. Os quais esta ato declararam que tinham tido antes do casamento os seguintes filhos, João Batista Carneiro, de dois anos de idade, Francisco, de seis meses de idade. Em firmesa do que eu João Oquendo de Vasconcelos, lavro este auto, que vai assinado pelo Juiz centrahecito e testemunhas, a primeira de vinte e seis anos de idade, a segunda de vinte e três anos, criadores, moradores desta povoação, a terceira de dezenove anos de idade, a quarta de vinte e um anos de idade, ambas serviço doméstico, moradoras desta povoação; assinando a rogo da contraente a primeira testemunha. Eu, João Oquendo de Vasconcelos, escrivão do registro civil escrevi e assino. / José Hermínio de Vasconcelos / Raymundo Frederico Carneiro / Sancha Carneiro de Vasconcelos / Francisco Bento de Vasconcelos / João Aurélio da Vera Cruz / Maria José de Vasconcelos / Maria do Carmo Oquendo de Vasconcelos / João Oquendo de Vasconcelos.

Geraldo Frederico Carneiro

Foram pais de meu avô paterno, Geraldo Frederico Carneiro, casado com Maria José Vasconcelos, filha de João Batista Vasconcelos e Francisca Adalgisa Vasconcelos, em 19 de julho de 1948.

Termo de Casamento de Geraldo Frederico Carneiro e Maria José, 1948 [7].

Transcrição:

"Aos dezenove de julho de mil novecentos de quarenta e oito, feitas as denunciações canônicas e mais formalidades prescritas e não apontando impedimento algum, na Igreja Matriz, em presença do Vigário e das testemunhas Miguel Ibiapina Vasconcelos e José Patromarte Vasconcelos, receberam-se em matrimônio com palavras de presente Geraldo... Frederico e Maria José Vasconcelos; ele, filho legítimo de Raimundo Frederico Carneiro e Sancha Frederico Carneiro, natural da freguesia de Marco e morador da mesma; ela, filha legítima de João Batista Vasconcelos e Francisca Adalgisa Vasconcelos, natural da Freguesia de Marco e moradora na mesma: e logo lhes dei as bênçãos nupciais na forma do Ritual Romano, do que para constar lavrou-se este termo que assino. O Vigário Padre Francisco Apoliano".

Diego Carneiro

03 de julho de 2026 

Como citar esse texto:

CARNEIRO, Diego. De João Carneiro da Costa a Geraldo Frederico Carneiro. História e Genealogia do Baixo Acaraú [recurso eletrônico]. Fortaleza, 03 de julho de 2026. Disponível em: https://genealogiabaixoacarau.blogspot.com/2026/06/de-joao-carneiro-da-costa.html

Referências

ARAÚJO, Pe. Francisco Sadoc de. Cronologia Sobralense- Séculos XVII e XVIII- 1604-1800. 2ª edição. Volume 1/ Fortaleza: Edições ECOA, 2005.

BRASIL. Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Directoria Geral de Estatística. Recenseamento do Brazil realizado em 1º de setembro de 1920. Volume XVI. Rio de Janeiro: Typographia da Estatística, 1920.

FIGUEIREDO, Daniel Caetano. A Família Carneiro do Sapó - Santana do Acaraú - Ceará (1744-2010). Sobral, 2010.

FROTA, Luciara S. Aragão (Org). Estudo sobre o Remanejamento da Pecuária na Zona Norte do Ceará. Fortaleza: SUDEC, 1974, 2 volume.

[1] Livro de Óbitos da Par. de N. S. da Conceição de Sobral, Jan. 1752 a Dez. 1774, fl. 14. (link)
[2] Livro de Batismos da Par. de N. S. da Conceição de Sobral, Out. 1777 a Jul. 1783, fls. 136 e 137. (link)
[3] Livro de Matrimônios da Par. de N. S. da Conceição de Acaraú, Ago. 1843 a Fev. 1865. fl. 16. (link)
[4] Arrolamento de Bens de Maria José de Jesus, 1935, fl. 3. APEC, Acaraú, PAC 3 Proc. 17 (link)
[5] Livro de Matrimônios da Paróquia de N. S. de Sant'Anna, Set. 1902 a Nov. 1920, fl. 65 (link)
[6] Primeiro Livro de Casamentos do Cartório de Morrinhos, Livro 1, fl. 5, nº 8 (link)
[7] Livro de Matrimônios da Paróquia de São Manoel, Jan. 1942 a Jan. 1950, fl. 117, nº 704 (link)

Panacuí e o Sertão da Tucunduba

Açude Tucunduba

A palavra Panacuí tem origem indígena, podendo significar algo como “lugar onde se confeccionam pequenos cestos” (Stradelli) ou ainda pode ser entendida como o diminutivo da palavra Panacú, uma espécie de cesto de taquara que carregavam nas costas (Falcão, 1999, p. 286). A menção mais antiga que localizei ao nome Panacuí, na região do Baixo Acaraú, remete a sesmaria dos irmãos João de Sá e Leonardo Correia de Sá, obtida a 21 de janeiro de 1716:

Dizem João de Sá e Leonardo Correa, moradores nesta Capitania, que eles suplicantes têm seus gados vacuns e cavalares e não têm terras adonde os possam acomodar; e têm descoberto um pedaço de terra entre o Rio Acaracú e Curuhahuy [Coreaú], que a muito poderá ter duas léguas de comprido, pegando no riacho Panacuhy, nas testadas dos últimos providos dele, buscando a ponta da Serra Tucunduba [Mucuripe] até uma lagoa que dista da ponta da dita serra distância de meia légua, pouco mais ou menos, cujo nome dela, língua do gentio, se não sabe, e se lhe dá nome de Lagoa das Pedras. Cuja terra está devoluta e desaproveitada, e eles suplicantes a querem povoar com seus gados, o que redunda em aumento aos dízimos. Portanto, pedem a Vossa Mercê seja servido conceder-lhes, em nome de Sua Majestade, que Deus guarde, por data e sesmaria, duas léguas de comprido e meia de largo para cada banda, na parte que confrontam em sua petição, para eles (Sesmarias Vol. 10, nº 29, p. 52).

Esse dito riacho provavelmente trata-se de um braço do Riacho Inhanduba (planta dos "nhandus", tipo de ave) e a referida Lagoa das Pedras, provavelmente trata-se da Lagoa João de Sá, em alusão ao antigo nome do sesmeiro, na área do distrito de Mucambo. Esse distrito foi criado pela Lei Municipal nº 53, de 19 de janeiro de 1994, e seu topônimo é uma palavra indígena que pode significar "sitio de vegetação espessa onde se oculta o gado" ou ainda "couto de escravos na floresta" (Falcão, 1999, p. 268).

Área aproximada da Sesmaria de João de Sá, 1716.

Segundo Pe. Sadoc Araújo, João de Sá era casado com a preta Joana da Costa e tomou parte na rebelião de 1732, quando foi preso. Esse combate foi travado entre os seguidores do ouvidor Loureiro e os liderados pelo capitão João de Sá nos primeiros meses de 1733, resultando em quatro mortes. O conflito foi descrito em carta enviada pelo Ouvidor Pedro de Novais ao rei em 27 de maio de 1733:

"Nesse conflito, o ouvidor passou à ribeira do Acaracu, e com a sua costumaz escolta foi por um cerco na casa de João de Sá, de quem é grande inimigo, para o prender, mas como ele se achava com nove ou dez pessoas em casa se defendeu, não e se querendo dar a prisão por ele não ser já ouvidor e pondo-se as pelouradas lhe mataram quatro homens e feriram outros, e dos do Loureiro ficaram alguns, e entre eles um seu escravo” (Ferrão, 2013, p. 197-198).

Joana da Costa teria abandonado o marido após a prisão, juntando-se com seu irmão, Leonardo Correia de Sá, com quem teve cinco filhos: Josefa, Leonarda, Romana, Teodósio e Luis. Para regularizar sua situação matrimonial, Leonardo casou-se com Joana em seu leito de morte, em 8 de novembro de 1735. Uma filha de João de Sá, a "índia" Andressa, reconhecida por sua beleza, viveu maritalmente com José Correia Peralta e casou-se, posteriormente, com José Ferreira da Fonseca (De Souza, 2015, p. 118-119). Esse casamento aconteceu na Fazenda Santa Cruz (atual Bela Cruz), em 25 de fevereiro de 1726, tendo como testemunhas Domingos de Aguiar e Oliveira (Araújo, 2005, p. 112).

Além desta sesmaria, João de Sá conseguiu outras duas: uma individualmente, na lagoa inheengua Cui [Inhanduba?] e outra com Brandão de Oliveira Pinto e João Gomes da Silva, próximo às aldeias dos Anacé, na ribeira do Aracatimirim.

Capitão Aurélio Gomes Linhares

Em 2 de janeiro de 1723, Capitão Aurélio Gomes Linhares também recebeu uma sesmaria no rio Panacuhy, com a seguinte petição:

Diz o Capitão Aurélio Gomes Linhares, morador nesta Capitania e casado, que ele suplicante tem seus gados de cria, assim vacuns como cavalares, e não tem terras nenhumas para nelas criar os ditos gados; e de presente descobriu o suplicante três léguas de terra sitas nas ilhargas do rio Panacuí, e por outro nome Athiaya [Tiaia], com uma lagoa que fica para a parte do poente, confrontando com o Morro da Athiaya e serra que vem do Curuayhi [Coreaú], acompanhado com a Serra Meruoca; portanto, pede a Vossa Mercê seja servido mandar por seu despacho passar-lhe data e sesmaria em nome de Sua Majestade, que Deus guarde, para ele e seus herdeiros, ascendentes e descendentes, das ditas três léguas de terra e lagoa que o suplicante descobriu, no que receberá mercê (Sesmarias, Vol. 11, nº 61, p. 97).

O Capitão Aurélio Gomes Linhares era casado com Maria de Brito Freire, filha de Gregório Brito Freire. Foi um dos cabeças da dita rebelião de 1732, tendo sido preso e levado para o Forte de N. Sra. da Assunção (Araújo, 2005, p. 104). Além da sesmaria do rio Panacuí, Capitão Aurélio obteve duas outras sesmarias na região da Caioca, atual Sobral, em 1731 e 1732.

Domingos Ferreira Passos

Outra menção antiga a Fazenda Panacuí, data de 11 de setembro de 1730, data e local onde aconteceu o casamento de João Coelho da Silva, natural de Braga, Portugal, filho de Domingos Coelho e Antônia Francisca, e Francisca Ferreira Passos, filha natural de Domingos Ferreira Passos, Almoxarife da Fazenda Real, e Pascoa Machado, fâmula de Miguel Machado Freire, sesmeiro do Rio Coreaú (Lima, 2016, p. 1057).

Essa fazenda era a sede da sesmaria de Domingos Ferreira Passos, pai de Francisca, obtida no dia 15 de janeiro de 1733, com a seguinte petição:

Diz Domingos Ferreira Passos, morador na Ribeira do Caracú [Acaraú], que ele tem seus gados vacuns e Cavalares na dita Ribeira, e não tem terras em que os acomodar para melhor aumento da Real fazenda e porque o suplicante tem descoberto, um Sitio de terras na sobre dita Ribeira, que pega das testadas do Capitam mor João Felix de Carvalho pelo Riacho Cotunduba [Tucunduba] acima, e outro chamado do (inteligivel) ficando de dentro a Lagoa da Cotumduba [Tucunduba] pelo que pede a vossa mce. lhe faça mce. mandar passar data e sesmaria em nome de sua Magde. que Deus gde. as três léguas de terra de Comprido começando nas testadas do dito Capião-mor João Felix de Carvalho pelo Riacho do Cotumduba [Tucunduba] acima com uma légua de largo, meia para cada banda... (Sesmarias Vol. 12, nº 52, p. 75)

Com o falecimento de João Coelho, Francisca Ferreira casou-se novamente com Manoel da Cunha Freire, também natural do Porto (Lima, 2016, p. 1743)Segundo Batista Fontenele, Manoel Cunha Freire

...fixou residência no sertão da Tucunduba, onde adquiriu imensas glebas de boas terras, inclusive cinco léguas por Sesmaria e o restante por compra ao Capitão-Mor João Félix de Carvalho e outros, perfazendo um total de mais de vinte léguas, incluindo nestas seis léguas de terra situadas à margem do Riacho Inhanduba. Seu falecimento ocorreu no ano de 1764, tendo sido sepultado na Capela de Nossa Senhora do Livramento, do Parazinho, da Freguesia de Santa Cruz do Coreaú, hoje Granja (Fontelene, 2001, p. 222).

Pela descrição de Fontenele, é possível situar as terras de Manoel Cunha Freire na divisa entre os municípios de Marco e Bela Cruz.

Área aproximada das terras de Manoel da Cunha Freire

Em 1 de maio de 1754, faleceu Manoel Ferreira Passos, possível parente Domingos Ferreira Passos, talvez irmão, deixando "um sítio de três léguas de terra por trás da serra da Tucunduba a Manoel, filho do defunto João Coelho e a Antônio, filho de Manuel da Cunha Freire e de sua mulher Francisca Ferreira" (Araújo, 2005, p. 254). Essa descrição parece corresponder a localização do atual distrito de Panacuí, que fica as margens do Riacho Tucunduba, que escorre do Serrote do Mucuripe (antigo Tucunduba), talvez as mesmas terras da sesmaria de Domingos Ferreira Passos.

Capitão João Félix de Carvalho

Quanto ao citado João Félix de Carvalho, sabe-se que era Capitão-mor no Termo de Granja, residindo no lugar denominado Pará (atual Parazinho), sendo casado com Apolônia Ferreira Diniz. João Félix tinha 48 anos de idade em janeiro de 1724, quando prestou depoimento como testemunha, juntamente com outras 14 pessoas, a favor do padre João de Matos Monteiro, o que coloca seu nascimento por volta de 1676 (Oliveira, 2025, p. 383).

Ele também aparece no pedido de sesmaria de Suzana Alves e Manoel Alves Quaresma, em que dizem "ter descoberto um Riacho por nome Ahipoeira entre o Sitio do Capitão-mor João Felix de Carvalho cauna [?], e o Sitio do Carvalho, pegado ao morro da hipoeira pegando das testadas da fazenda da thiaya [Tiaia] donde faz Barra o dito Riacho nomeado acima..." (Sesmarias, Vol. 11, nº 126, p. 199). Existe hoje uma Fazenda e um Riacho Carvalho no município de Uruoca, distante cerca de duas léguas (13,6 km) de Panacuí.

Região das terras de João Félix Carvalho

Assim como no registro da sesmaria do Cel. Francisco Ferreira da Ponte, dono da Fazenda Curral Grande, obtida em 23 de junho de 1746, de "légua e meia pegando das Lages chamado Boa Vista que fica na Ladeira do Capitão-mor João Felix, buscando as testadas do Capitão João Felix e ilhargas do Capitão Manoel Rodrigues Coelho, chamadas as Ilhargas de Meruoquinha no sitio chamado Santo Antônio portanto" (Sesmarias, Vol. 7, nº 509, p. 19). Com base nas descrições, pode-se situar a propriedade do Capitão-mor no Riacho Jurema (provavelmente o mesmo Ahipoeira), que divide os municípios de Uruoca e Senador Sá.

Uma outra Tucunduba

Cabe aqui abrir um parênteses para desfazer um pequeno mal entendido. Na relevante obra Raízes Portuguesas do Vale do Acaraú, Mons. Sadoc Araújo traz a seguinte afirmação, referindo-se as terras da sesmaria de Nicolau da Costa Peixoto: "parte desta sesmaria foi, posteriormente, vendida a Manoel Ferreira Fonteles, onde se estabeleceu o instalou a Fazenda Tucunduba, perto da serra do mesmo nome, em território hoje pertencente ao município de Marco, distrito de Panacuí" (Araújo, 2000, p. 70).

Entretanto, apesar de ter outrora adotado o mesmo topônimo, é improvável que Panacuí tenha sido o local da célebre Fazenda Tucunduba. No inventário de Manoel Ferreira Fonteles Filho, datado de 1795, essa propriedade é descrita como possuindo "cinco léguas de terra de comprido com uma légua de largo na margem do Rio Acaracu, confinando com terras do seu filho Manuel Ferreira da Rocha e por rio abaixo com terras do sargento mor Manuel Francisco de Vasconcellos que recebeu de herança de seus defuntos pais tendo da parte do poente do mesmo Rio [1]. Portanto, uma vez que Panacuí fica a aproximadamente 40 quilômetros (seis léguas) do Rio Acaraú, não é possível que se tratem do mesmo local.

No próprio livro de Mons. Sadoc, ele traz a seguinte descrição da propriedade, em 1788: meia légua de terra, de cumprido, com meia légua de largo, tudo de uma só banda do no Acaraú, à margem esquerda, e confinava ao norte com as fazendas Salgado e, ao sul, com as Fazendas Raiz é Várzea Redonda" (Araújo, 2000, p. 72). Como explica o historiador Fábio Junior Avelino, ainda hoje existe uma localidade chamada Tucunduba no município de Morrinhos, próxima ao Acaraú, sendo esta vizinha as localidades de Salgado, Raiz e Várzea Redonda, mencionadas anteriormente (Avelino, 2020, p.40). Portanto, é ponto pacífico que a fazenda de Manoel Ferreira Fonteles, apensar de ficar na mesma região, não esteve localizada onde hoje é Panacuí.

[1] Br. Ce. NEDHIS. UVA. CH. FMP. Inv.08, Dossiê 08.08, Caixa 39, ano 1795.

Século XX

Praça de Panacuí, Marco, 1991.

O distrito de Panacuí, atualmente pertencente ao município de Marco, teve sua origem no antigo distrito de Tucunduba, cuja denominação fazia referência ao rio que banha a localidade. O distrito foi criado pelo Decreto Estadual nº 193, de 20 de maio de 1931, como parte do então município de Santana do Acaraú, passando a integrar, juntamente com São Manoel do Marco, a estrutura administrativa desse município. Pelo Decreto Estadual nº 448, de 20 de dezembro de 1938, Tucunduba recebeu a denominação de Panacuí, ao mesmo tempo em que São Manoel do Marco passou a denominar-se apenas Marco e o município de Santana do Acaraú teve seu nome simplificado para Santana.

Posteriormente, pelo Decreto-Lei Estadual nº 1.114, de 30 de dezembro de 1943, o município passou a chamar-se Licânia, retomando o nome Santana do Acaraú apenas com a Lei Estadual nº 1.153, de 22 de novembro de 1951. A Lei Estadual nº 1.153, de 22 de novembro de 1951, desmembrou de Santana do Acaraú (Licânia) os distritos de Marco e Panacuí para constituir o novo município de Marco, instalado em 25 de março de 1955. Desde então, Panacuí passou a integrar definitivamente a nova unidade administrativa como um de seus dois distritos originais. (Girão, 1983, p. 335).

Entre 1963 e 1965, Panacuí chegou a ser elevado à categoria de município pela Lei Estadual nº 6.905, de 16 de dezembro de 1963, sendo constituído apenas pelo distrito-sede. Entretanto, essa emancipação teve curta duração, pois a Lei Estadual nº 8.339, de 14 de dezembro de 1965, extinguiu o município e reincorporou seu território ao município de Marco, na condição de distrito, situação que permanece até os dias atuais (Falcão, 1999, p. 286).

O Açude Tucunduba

Um marco significativo na história do povoado foi a construção do Açude Tucunduba, realizada entre 1912 e 1919 pela Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS). Erguido sobre o leito do rio Tucunduba, tendo como principal canteiro de obras a localidade de Serrota, localidade de Senador Sá (elevada a distrito pela Lei n.º 3762, de 23 de agosto de 1957), na divisa com Panacuí. No memorial descritivo dessa construção, consta a seguinte descrição do lugar em 1909:

Uma vegetação predominantemente sertaneja, com carnaúbas, aroeiras, paus-brancos, angicos, paus-d’arcos, umburanas, juremas, cajazeiras, arbustos, capim e outras plantas forrageiras. Os proprietários de terra mais abastados comercializavam o algodão e a cera da carnaúba. A população em geral utilizava de várias formas as diversas partes da carnaúba: o palmito, para o alimento dos animais; o tucum, para a manufatura de redes e cordas, por ser uma fibra resistente; a palha, para chapéus, peias, abanos, vassouras e urus – tipo de cesto usado para armazenar peixes; o tronco, para brinquedos e outros utensílios como tala, por exemplo. Além disso, cultivavam os roçados de milho, feijão, mandioca e arroz (Lima, 2010, p. 57).

A construção passou por reveses até a chegada, em maio de 1913, do engenheiro Abelardo Andréa dos Santos, que a conduziu por cerca de cinco anos. A obra foi profundamente afetada pela seca de 1915, quando milhares de retirantes afluíram ao canteiro em busca de trabalho e o número de operários alistados chegou a mil. O reservatório foi concluído em 1919 com capacidade superior a 40 milhões de metros cúbicos (Lima, 2010).

Major Fco. Ferreira Gomes (1848-1939)

Um dos pioneiros da região do Panacuí nessa época foi o Major Francisco Ferreira Gomes (n. 22-02-1848, f. 26-08-1939), natural de Sobral, casado com Maria Vicência Gomes, filha do Major Vicente Cândido da Fonseca e Maria Tomázia da Fonseca, em 1869. O casal veio residir na região do Panacuí, tendo Ferreira Gomes lutado pela construção do Açude Tucunduba, inclusive doando terras para a população ribeirinha atingida pelo alagamento. Também doou uma gleba de terra para a diocese de Sobral onde a vila teria sido construída com cerca de vinte e oito famílias. Sua mulher, Maria Vicência Gomes, teria incentivado a criação da Capela de Imaculada Nossa Senhora da Conceição contribuindo para a organização da comunidade.

Desenvolvimento Eclesiástico

Igreja de Panacuí, Marco.

A paróquia da Imaculada Conceição, de Panacuí, foi instituída em 27 de novembro de 2016. Entretanto, a antiga Capela da Tucunduba é bem mais antiga, havendo menções a mesma pelo menos desde meados do século XIX. Segundo Álvaro Gurgel, em 1861, pertenciam a Freguesia da Barra do Acaraú, as capelas, que são outros tantos povoados: São Gonçalo da Mutamba, Tucunduba, Trindade, Cruz e Almofala, Tanque do Meio e Juritianha (Gurgel, 1939, p. 13).

Antes disso, a Lei Provincial nº 836, de 29 de setembro de 1857, sancionada pelo presidente João Silveira de Souza, determinou a criação de um "distrito de paz na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Tucunduba, do município da Vila de Acaracú, com o território que foi designado pela respectiva câmara". Ressalta-se que no final do século XIX a localidade já contava com 862 habitantes (Gazeta do Sobral, 2 de março de 1882). Uma postagem feita por Alan Vasconcelos no grupo Acervo Histórico do Marco, em 16 de janeiro de 2022, traz a fotografia de uma telha que teria sido retirada da capela de Panacuí durante uma reforma (abaixo), onde lê-se o ano de 1853 e o nome Luis Ferreira, provavelmente o fabricante ou doador do material.

Telha supostamente retirada da Igreja de Panacuí.

Segundo o memorialista Osvaldo de Aguiar, com a criação da Paróquia de Massapê, pelo Decreto Episcopal de 22 de junho de 1911, firmado por D. Joaquim José Vieira, segundo Bispo do Ceará, a Capela da Tucunduba ficou eclesiasticamente vinculada a mesma, situação que permaneceu até janeiro de 1942, ano da criação da Paróquia do Marco (De Aguiar, 1969, p. 65). Em 1981, passa para a alçada da paróquia de Senador Sá, tendo a frente Padre Raimundo Nonato Gomes, que permaneceu a frente da capela até 1983.

O Sr. Raimundo Adeodato da Fonseca, que fez parte de várias pastorais da igreja de Panacuí, quando esta ainda era uma capela, como o Apostolado da Oração de São Vicente de Paulo, fez doação de um terreno de 18m por 50m para a paróquia, a fim de que fosse construído o Centro Pastoral. O pai de Raimundo, José Adeodato da Fonseca, natural da Meruoca, c.c. Izabel Isaura da Fonseca em 1920, foi um dos administradores da Capela do Panacuí por volta do ano de 1943, substituindo o Sr. Francisco Ferreira Gomes juntamente com sua família, recebendo os padres da época e fazendo a gestão das terras da capela.

Associação São Vicente de Paulo*

Fundada em 1939, na Capela de Panacuí, pelo vigário de Massapê, Padre Francisco Linhares, tinha quatro membros na diretoria e 48 associados. Seu presidente era o Senhor José Firmino Vidal, que comprou a imagem de São Vicente de Paulo e a colocou em seu altar. Em 1942, Firmino Vidal foi morar em Bela Cruz e a diretoria da associação foi entregue ao Senhor Bento Teixeira, que, após algum tempo, deixou o cargo, o que culminou em sua desintegração.

Em 08 de maio de 2001, foi restaurada e passou a ser chamada de conferência Maculada Conceição, tendo como presidente o Senhor José de Fátima Silva. A referida conferência tinha vinte e oito sócios e foi desmembrada em 2004, quando ocorreu a fundação da Conferência Coração de Jesus. Como tinha alguns sócios, tanto na Conferência Imaculada Conceição como na Coração de Jesus, houve a necessidade de se formar uma conferência para os jovens, que se chamou Conferência São Domingos Sávio. Após essa fundação, fundou-se a Conferência Coração de Maria, esta exclusiva para crianças.

*Indicação Legislativa Municipal nº 03/2020.

A Lenda da Imagem de N. S. da Conceição

Investigando a história de Panacuí, me deparei com uma postagem da página Marco Histórico, datada de 30 de setembro de 2024, trazendo um relato sobre uma lenda envolvendo a imagem de N. S. da Conceição, de Bela Cruz, e o templo do referido distrito. Segue a transcrição do conteúdo narrado na dista postagem:

"Você sabia que a imagem de Nossa Senhora da Conceição que hoje está na igreja de Bela Cruz, originalmente pertenceu a Capela do Panacuí, no Marco? Segundo rumores populares, quando a igreja de Bela Cruz foi construída, a imagem centenária, vinda de Portugal, foi levada de Panacuí para lá, junto com um cordão de ouro e um coroa. Para substituir essa relíquia, enviaram de Santana uma imagem de madeira. No entanto, a comunidade local, insatisfeita com a troca, teria depredado a nova imagem, cortando suas mãos e face. Dizem que essa imagem mutilada ainda se encontra no Distrito de Panacuí. Também é dito que Capela de Panacuí tem mais de trezentos anos e que durante sua última reforma foram encontradas telhas com essa idade. No entanto, não há comprovação oficial dessas histórias".

Segundo Nicodemos Araújo, a capela de Bela Cruz teve três imagens principais, a primeira, medindo apenas dez centímetros, teria sido adquirida de forma contemporânea a construção do templo, por volta do ano de 1732, tendo sido providenciada pelos moradores envolvidos nessa instalação. A segunda delas, medindo 40 centímetros, foi adquirida no final do século XVIII, quando houve a mudança da capela do Alto da Genoveva para a localização atual. Finalmente a terceira imagem, feita em madeira e medindo cerca de um metro, teria sido adquirida em 1894 por um comissão de senhoras, com donativos arrecadados junto a população (Araújo, 1967).

A postagem sugere que esta última imagem, que ainda hoje encontra-se no altar mor da Igreja Matriz de Bela Cruz, teria sido o objeto da contenta entre as duas localidades. Não consegui apurar absolutamente nada sobre o ocorrido, de modo que é possível que se trate apenas de uma lenda. Sobre a capela de Panacuí possuir mais de trezentos anos, essa também é outra informação de difícil verificação. Apesar de haverem indícios de ocupação antiga na região, não encontrei qualquer referência direta a existência de uma capela no período colonial nos registros paroquiais mencionado por Mons. Sadoc (Araújo, 2005).

Dom José Tupinambá da Frota traz a relação das primeiras capelas do Curato do Acaraú:

No 1°. livro de batizados e casamentos do Curato do Acaraú (1725-1730) já se fazia menção das capelas de Nossa Senhora da Conceição do Acaraú (atual Patriarca), de Santa Cruz da Água das Velhas, do Pará (atual Parazinho), da Beruoca, de Ibiguassú, da Lagoa das Pedras, do Moquem, de Santo Antonio do Olho dʼÁgua, (ribeira do Coreaú), de Nossa Senhora da Conceição dos Tremembés, de Santo Antonio de Imbuassú, as quais eram de taipa e coberta de palha (Frota, 1974, p. 39).

Dentre estas, destaca-se a opinião do historiador Geraldo Nobre, que conjectura que a Capela da Lagoa das Pedras poderia ter pertencido a já mencionada sesmaria de João de Sá, com base na sua descrição (Nobre, 1980, p. 327). Entretanto, como cita o próprio autor houveram pelo menos duas outras Lagoas das Pedras na região que podem ter sido o local desse templo.

Ademais, o supramencionado casamento de João Coelho da Silva e Francisca Ferreira Passos, ocorrido em 1730 na Fazenda Panacuí, não se faz menção a existência de uma capela. Como já apresentado, a menção mais antiga que localizei sobre a Capela de Panacuí, data de 1857 e a telha que teria sido tirada do templo, traz o ano de 1853. Dessa forma, com as evidências disponíveis no momento, não é possível dar crédito a esse relato.

Diego Carneiro

15 de julho de 2026 

Como citar esse texto:

CARNEIRO, Diego. Panacuí e o Serão da Tucunduba. História e Genealogia do Baixo Acaraú [recurso eletrônico]. Fortaleza, 15 de julho de 2026. Disponível em: https://genealogiabaixoacarau.blogspot.com/2026/06/historia-panacui.html

Referências

ARAÚJO, Nicodemos. Bela Cruz: De Prédio Rústico a Cidade. Edições A Fortaleza. Fortaleza, 1967.

ARAÚJO, Pe. Francisco Sadoc de. Raízes Portuguesas do Vale do Acaraú. 2ª edição. Sobral: Edições UVA, 2000.

AVELINO, Fábio Júnior. Ocupação Colonial e Escravidão Negra nas terras que hoje fazem parte do Município de Morrinhos (1725-1889). Monografia. Sobral: Universidade Vale do Acaraú, 2020.

DE AGUIAR, Osvaldo. Massapê em Foco. Fortaleza, 1969.

DE SOUZA, Raimundo Nonato Rodrigues. “Minha Riqueza é Fruto do meu Trabalho”: negros de cabedais no Sertão do Acaraú (1709-1822). 2015. 223 f. (Tese Doutorado).

FALCÃO, Márlio Fábio Pelosi. Ciará Terra do Sol. Gráfica Folha. Fortaleza: APRECE, 1999.

FERRÃO. Memória Colonial do Ceará. Rio de Janeiro: Kappa editorial, 2013, Volume 2 (1731-1739), Tomo I, (1731-1736).

FONTENELE, A. Batista. A Marcha do Tempo: Os Fontenele. Fortaleza: SENAI/CE, 2001.

FROTA, D. José Tupinambá da Frota. História de Sobral. Fortaleza: Editora Henriqueta Galeno, 1974.

GIRÃO, Raimundo. Os municípios cearenses e seus distritos. Estado do Ceará, Secretaria de Planejamento e Coordenação, Superintendência do Desenvolvimento do Estado do Ceará, Departamento de Recursos Naturais, 1983.

GURGEL, Álvaro. Diccionario Geographico Historico e Descritivo do Ceará. 2ed. Tipografia Minerva, 1939.

LIMA, Aline Silva. Um projeto de "combate às secas", os engenheiros civis e as obras públicas: Inspetoria de Obras Contra as Secas — IOCS e a construção do açude Tucunduba (1909–1919). 2010. 123 f. Dissertação (Mestrado em História Social) — Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2010.

NOBRE, Geraldo Silva. História eclesiástica do Ceará. Secretaria de Cultura e Desporto, 1980.

OLIVEIRA, André Frota. Os Capitães-mores das Ordenanças do Termo da Vila de Granja. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2025.


Os Fonseca de Bela Cruz

Família Fonseca, de Bela Cruz, final do anos de 1960.

Esse artigo busca resgatar a trajetória de Sebastião Chagas Fonseca, que deu origem a família Fonseca da região de Bela Cruz, Ceará. Sebastião, meu avô materno, nasceu em Manaus, Amazonas, a primeiro de janeiro de 1926. Era filho legítimo de Deodoro Chagas e de D. Sebastiana Chagas, neto paterno de Manoel Fonseca Silva e Maria Antônia Silva, como consta em sua certidão de nascimento (abaixo).

Certidão de Nascimento de Sebastião, 1953.
Transcrição:

Registro Civil do Estado do Ceará, Comarca de Acaraú, Distrito de Bela Cruz, Nascimento Nº 97 / João Damasceno Vasconcelos, Oficial de Registro Civil

Certifico que às fls. 35 sob o n. 97, no livro n. 19, em meu poder e cartório, foi registrado em data de 23 de março de mil novecentos e cinquenta, o nascimento ocorrido em Manaus, Amazonas, primeiro de janeiro de mil novecentos e vinte e seis, de Sebastião Chagas Fonseca, filho legítimo de Deodoro Chagas e de Dª. Sebastiana Chagas, neto paterno de Manoel Fonseca Silva e Maria Antônia Silva e materno de "ignorados", sendo declarante o próprio registrado e testemunha... de Oliveira e Valdemar Plácido Fonteles. OBSERVAÇÕES: Isenta de selos por ser favorecido para fins militares.

O referido é verdade e dou fé. / Bela Cruz, 3 de agosto de 1953 / O Oficial de Registro Civil João Damasceno Vasconcelos.

Não encontrei maiores informações sobre os pais e avós de Sebastião. Na verdade, tenho sérias dúvidas quanto a veracidade integral dos dados autodeclarados nesse registro, o que vai ficar claro mais adiante no texto.

Os Studart da Fonseca

De acordo com sua esposa, Sebastião veio para o Ceará ainda pequeno, com aproximadamente dois meses de vida (1926), acompanhando sua mãe, Sebastiana e seu irmão, Antônio. Sebastiana teria vindo trabalhar na casa da família do Coronel Guilherme Studart da Fonseca (n. 24-06-1882, f. 17-09-1954), em Fortaleza, situada na Rua Senador Pompeu, nº 627 (antes nº 79), Centro. Segundo a descrição das filhas e da esposa de Sebastião, que visitaram o local algumas vezes, tratava-se de um casarão antigo, localizado próximo ao passeio público, com louças e mobílias finas.

Guilherme Studart da Fonseca.

Guilherme da Fonseca era de família nobre, militar graduado e presidente do Club Militar da Guarda Nacional (Jornal do Ceará, 20 de outubro de 1909). Foi casado com Dolores da Cunha Sombra (n. 04-04-1886) e era sobrinho materno de Guilherme Chambly Studart (1856-1938), o Barão de Studart. Também era proprietário da importadora Guilherme Fonseca e Cia., em sociedade com seu pai, João da Fonseca Barbosa (1844-1931). Essa companhia, fundada em 1906, fabricava extratos medicinais, os quais eram vendidos na sua Drogaria Central, situada na Rua Barão do Rio Branco, nº 144, e exportados para vários estados (Loyd, 1913). Em matéria publicitária do Jornal Pátria, de 3 de março de 1915 (abaixo), assinada por Francisco de Oliveira Carvalho, noticia-se a venda do "Leite Mururé", remédio de origem do Amazonas, para o tratamento de Sífilis pela Guilherme Fonseca e Cia.

Anúncio do Elixir Mururé no Jornal a Pátria, 3 de março de 1915.

Não está claro como Sebastiana e seus filhos vieram parar em Fortaleza, mas é sabido que o tio materno de Guilherme da Fonseca, Carlos Studart (1862-1963), morou em Manaus entre os anos de 1899 e 1921. Lá, foi redator do Jornal do Comércio e, como farmacêutico, foi inventor do famoso Leite de Colônia Studart (Jornal do Comércio, nº 26, Ano V, 1968). Ademais, como frisado anteriormente, o próprio Guilherme transacionava produtos do Amazonas em sua atuação comercial,  talvez em parceria com o  próprio tio, do mesmo ramo farmacêutico. Dessa forma, pode-se especular que o contato de Sebastiana com a família Studart da Fonseca tenha se dado por meio dessa atividade.

Na casa dos Studart da Fonseca, em Fortaleza, Sebastião foi apadrinhado pelos filhos de Guilherme, Fernando Sombra da Fonseca (n. 09-01-1923, f. 22-02-1948) e Ivone Sombra da Fonseca (f. 13-11-2017), professora da Escola Normal, admitida em 1935 (Jornal O Combate, 11 de maio de 1935). Outra filha de Guilherme da Fonseca, Carmem Dolores da Fonseca (n. 16-01-1912), foi diretora do Colégio Justiniano de Serpa. Em matéria do jornal A Razão, de 16 de janeiro de 1930, é noticiado na coluna social o aniversário de sete anos de Fernando Sombra, considerado por Sebastião como um pai de criação, apesar de terem praticamente a mesma idade. É possível que Sebastião estivesse nessa celebração.

Fernando Sombra da Fonseca (1924-1948)

Infelizmente, Fernando faleceu de forma trágica, com apenas 25 anos, no dia 22 de fevereiro de 1948. Ele teria tentado atravessar a nado a Barra do Rio Ceará, quando se afogou. O caso foi noticiado em vários jornais da época. Uma dessas reportagens, do Jornal Correio do Ceará, de 23 de fevereiro de 1948, traz uma pequena biografia:

"Fernando Sombra da Fonseca... era membro de uma das mais distintas famílias de nossa terra, filho de Guilherme Studart da Fonseca e sua exma. esposa D. Dolores Studart da Fonseca. Nasceu no dia 9 de janeiro de 1923, era funcionário do Banco do Brasil, aluno [de Direito] da... Faculdade de Ciências Econômicas, sendo muito estimado na comunidade estudantil e social de Fortaleza."

Nesse mesmo jornal consta o convite para o enterro, saindo da casa da família, da Rua Senador Pompeu, nº 627, o que confirma o seu endereço. Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério São João Batista (1° Plano, Lado Norte, Rua 03, n° 05).

Convite para o enterro de Fernando, 1948.

Lápide de Fernando Sombra da Fonseca.

Quanto ao sobrenome Fonseca, ao que parece, Sebastião não tinha documentos quando veio de Manaus, de modo que imagina-se que tenha sido registrado em Fortaleza dessa forma. Isso é corroborado pela ausência de registro de batismo em Manaus, conforme consulta realizada em 30 de junho de 2025, no Arquivo da Cúria Diocesana (abaixo).

Resposta do Arquivo da Cúria Diocesana de Manaus, 2025.

Entretanto, chama atenção a presença do sobrenome Fonseca, declarado por Sebastião para o seu avô paterno, Manoel Fonseca Silva. Seria Manoel algum parente de Guilherme Studart da Fonseca? Ou teria Sebastião atribuído o sobrenome Fonseca ao avô para poder, ele mesmo utilizá-lo? Essas são questões ainda em aberto.

A Fuga e o Casamento no Marco

Segundo depoimento de sua esposa, a saída da casa dos Studart da Fonseca teria sido motivada por uma questão banal. Certo dia, quando tinha 12 anos (~1938), Sebastião teria sido encarregado de ir comprar carne, mas decidiu parar no meio caminho para brincar, deixando o dinheiro escondido sob sua chinela. Ao retornar da brincadeira, percebeu que o dinheiro não estava mais lá. Temendo ser castigado, Sebastião teria decidido não voltar para casa, fugindo para o interior do estado. Ele teria acompanhado o Sr. João Batista Lopes (n. 12-06-11916, f. 19-12-1975) indo parar na localidade de Intans, no município de Morrinhos, onde morou por algum tempo.

Anos mais tarde, em meados de 1949, na localidade de Araticuns, no atual município de Bela Cruz, Sebastião conseguiu um emprego operando uma máquina de cortar palhas de carnaubeira. Foi quando conheceu sua futura esposa, Francisca das Chagas Pereira, filha de Raimundo Pereira de Maria e Marcolina Pereira. O pai de Francisca também trabalhava no extrativismo de carnaúba nas terras arrendadas de seu irmão, Joaquim Pereira. Terminada a temporada de corte, voltaram para o Marco, onde residia a família de Francisca na maior parte do tempo. Lá ele a pediu em casamento.

Casaram-se a 19 de abril de 1950, na Igreja Matriz do Marco, em cerimônia realizada pelo Padre Francisco Apoliano. Seis dias depois, a 25 de abril, realizaram o Casamento Civil no Cartório Neves, também no Marco. Nos dois casos, foram testemunhas, Francisco das Chagas Neves (1926-2000) e Francisco das Chagas Marques (1917-). A partir de então, Francisca passou a adotar o sobrenome do marido.

Casamento Religioso de Sebastião e Francisca, 1950 [1].
Transcrição:

Aos dezenove de abril de mil novecentos e cinquenta, feitas as denunciações canônicas, e mais formalidades... e não aparecendo impedimento canônico, na Igreja Matriz, em presença do vigário e testemunhas Francisco Chagas Marque e Francisco Chagas Neves, receberam-se em matrimônio com palavras de presente, Sebastião Chagas da Fonseca Francisca das Chagas Pereira; ele, filho legítimo de Deodoro Chagas da Fonseca e Sebastiana Chagas da Fonseca, natural da Freguesia de Amazonas e morador no Marco, ela, filha legítima de Raimundo Pereira de Maria e Maria Marcolina Pereira, natural da Freguesia de Marco e moradora na mesma: e logo lhes dei as bençãos nupciais na forma do Ritual Romano, de que para constar, lavrou-se esse termo, que assino. O Vigário Padre Francisco Apoliano.

Nota-se que Pe. Apoliano incluiu os sobrenomes Fonseca para os pais de Sebastião, o que não aparece em nenhum outro documento civil.

Certidão de Casamento de Sebastião e Francisca, 1989.
Transcrição:

República Federativa do Brasil / Estado / Território do Ceará / Comarca de Marco / Município de Marco / Distrito de Sede / Parsifal Silva Neves. Oficial do Registro Civil.

Certidão de Casamento / Certifico que, sob o nº 214, à fls. 53 do livro nº B-2 de Registro de Casamentos, verifiquei constar que no dia 25 de abril de 1950, foi feito o casamento de Sebastião Chagas Fonseca e Francisca das Chagas Pereira, contraindo perante o Juiz Alfredo Dias Silva e as testemunhas Francisco das Chagas Neves e Francisco das Chagas Marques. Ele, nascido em Manaus, capital do estado de Amazonas, a 1º de janeiro de 1926, profissão agricultor, domiciliado neste distrito, filho de Deodoro Chagas e Sebastiana Chagas. Ela, nascida em Marco, aos sete de agosto de 1927, profissão serviços domésticos, domiciliadas em Marco, filha de Raimundo Pereira de Maria e Maria Marcolina Pereira, a qual passou a assinar Francisca das Chagas Fonseca. Foram apresentados os documentos a que se refere o art. 180, nº, do Código Civil Brasileiro. Observação. 

O referido é verdade e dou fé, Marco, 16 de janeiro de 1989. / Cartório Neves / Parsifal Silva Neves / 1º Tabelião e Escrivão / Rua Dep. Fco. Monte. Tel. (19) 62.560 - Marco - Ce.

Ressalta-se que os documentos parecem divergir um pouco das memórias de minha avó Francisca, segundo a qual o padrinhos de casamento foram seu irmão Francisco Sales Pereira (n. 06-02-1916, f. 12-11-1990) e sua esposa, Francisca Silva Pereira (n. 23-05-1924, f. 09-06-2015). Ela também recorda de terem casado no mesmo dia no civil e no religioso. Apesar de conhecer as testemunhas mencionadas nos documentos, não recorda deles terem sido testemunhas do seu casamento.

A Chegada em Bela Cruz

Alguns meses após o casamento, em dezembro de 1950, Sebastião e Francisca mudaram-se para a cidade vizinha, Bela Cruz, onde se estabeleceram. O motivo da mudança se deveu ao trabalho de Sebastião, cujo patrão, na época, era o Sr. Manoel Teófilo da Rocha (n. 20-12-1889, f. 30-12-1971), oriundo do Marco, mas residente em Bela Cruz. Sebastião já havia morado com Manoel Teófilo em Bela Cruz algum tempo antes de casar com Francisca. Mais tarde, Manoel Teófilo seria padrinho da primeira filha do casal, que, infelizmente, não chegou a idade adulta.

Manoel Teófilo da Rocha (1889-1971).

Por volta de 1952, Sebastião e Francisca adquiriram uma casa localizada na Rua Humaitá, nº 87, do Sr. Expedito Deroci Vasconcelos (n. 13-06-1923, f. 17-08-2015), que posteriormente chegou a ser prefeito de Bela Cruz, entre os anos de 1963 e 1967.

Certidão do Patrimônio de N. S. da Conceição, 2007.
Transcrição:

CERTIDÃO / Certifico que revendo os registros de aforamento foi encontrado em nome de Sebastião Chagas Fonseca, uma área de terras aforado neste Patrimônio de Nossa Senhora da Conceição, localizado na Rua Humaitá, frente para Oeste, medindo 20 (vinte) metros de frente com 06 (seis) metros de fundo, limitando-se ao Norte: uma casa residencial pertencente à Francisca Benedita Araújo, ao Sul: com uma casa residencial pertencente ao Sr. Pedro Erasmo Vasconcelos, ao Leste: com um ponto terminal de 06 (seis) metros, ao Oeste: com as delimitações de Rua Humaitá. / Bela Cruz - Ce, 21 de maio de 2007 / Pe. João Batista Rodrigues Vasconcelos / Pároco.

Nessa casa, tiveram quinze filhos, dos quais apenas onze chegaram a idade adulta:

  • José Wilson da Fonseca;
  • Francisca Maria Imaculada;
  • Maria Selma da Fonseca;
  • Marta Célia da Fonseca;
  • Sebastião das Chagas Filho;
  • José Edmilson Fonseca;
  • Regina Célia Fonseca;
  • Maria Auricelia Fonseca;
  • Rita Maria da Fonseca;
  • Expedito Deodoro da Fonseca;
  • Fernando Amarildo da Fonseca;
Entre os filhos adultos, três destes faleceram: José Wilson, Imaculada e Edmilson. Hoje contabilizam-se 28 netos e 22 bisnetos do casal Sebastião e Francisca.

Foto da Família em frente a casa da Rua Humaitá, por volta de 1959.

Foto da Família na casa da Rua Humaitá, por volta de 1965.

Sebastião "Grosso", como ficou conhecido, trabalhou como motorista de Mons. Odécio Loiola Sampaio (n. 17-02-1916, f. 04-07-2001), primeiro pároco de Bela Cruz (1942 a 2001), durante a seca de 1958. Nessa época eram poucos os automóveis em Bela Cruz e Mons. Odécio possuía um carro de carroceria, o qual era conduzido por Sebastião. Sua esposa, D. Francisca, também trabalhou para o pároco, fazendo as refeições, lavando e passando suas roupas, além de confeccionar seus pijamas.

Mons. Odécio Loiola (1916-2001)

Mons. Odécio também deu a Sebastião outra fonte de renda, um balanço que ele levava para as festas e quermesses. As "canoas" eram um brinquedo popular para a época, em que duas pessoas subiam e puxavam uma corda, se balançando em alta velocidade de um lado para o outro. Como um parque de diversões mais primitivo, pagava-se uma pequena taxa para usufruir da atração por alguns minutos. Além do equipamento, o transporte também era feito na carroceria do carro do pároco. Minha avó se recorda particularmente de uma dessas ocasiões em que levaram as canoas para a localidade de Estreito (atual Panacuí), em Santana do Acaraú.

Ilustração de um balanço antigo.

Algum tempo depois, Sebastião empregou-se na fábrica de beneficiamento de Castanhas de Caju, Indústria e Agricultura, Castanha e Óleo Ltda. (IACOL), como mecânico, consertando máquinas de cortar castanha. A IACOL foi inaugurada em 28 de novembro de 1966, pelos sócios Raimundo Jovino de Vasconcelos (1917-1989), que viria a ser prefeito de Bela Cruz de 1973 a 1977, Manoel Jácome Teófilo (1922-1994), Manoel Jaime Neves Osterno (1907-1995) e a firma Quirino Rodrigues, de Sobral. Sebastião provavelmente prestou serviços a empresa na década de 1970, quando esta chegou a ter 300 funcionários (Araújo, 1967, p. 78). Ela funcionou até 1986, sendo definitivamente desativada em 23 de julho de 1990, segundo dados da Receita Federal.

Um lado menos conhecido de meu avô, era seu talento musical. Sebastião também era cantor e seresteiro, realizava serenatas para os casais de namorados, acompanhado no violão pelo seu compadre, o Sr. Deodete. Seu repertório incluía canções como Mágoas de Caboclo (1936), O Ébrio (1936), de Vicente Celestino, e A Volta do Boêmio (1956), de Nelson Gonçalves. Sebastião apresentou-se também por diversas vezes no Alvorada Clube, do qual virou sócio no ano de 1972, conforme recibo abaixo.

O Alvorada foi fundado em 22 de agosto de 1965, tendo como sede um prédio situado na Rua Major João Albano, esquina com a Rua Humaitá. Símbolo de distinção social, o acesso às suas festas era pautado por exigências rigorosas relacionadas ao comportamento e à posição social dos cidadãos (Bela Cruz, 2022, p. 10). Funcionou até o ano de 1986, quanto teve suas atividade encerradas.

Recibo de Participação no Alvorada Clube, 1972.
Transcrição:

AUTORIZAÇÃO / Autorizo a Diretoria do Alvorada Clube a transferência de minha ação de Sócio Fundador para o Sr. Sebastião Chagas Fonsêca, pagando o mesmo toda e qualquer taxa exigida, em virtude de ser transação de venda e compra. Bela Cruz, em 22 de dezembro de 1971 / Manoel Jácome Teófilo / Testemunhas: Francisco Ausueiro Pereira e Edilson Carvalhêdo Sampaio.

Reconheço verdadeira(s) a(s) firma(s) cujos os Manoel Jácome Teófilo, Francisco Ausueiro Pereira e Edilson Carvalhêdo Sampaio. Dou fé - Acaraú, 29 de janeiro de 1972.  Cartório Felipe Rocha... / Substituto: Otávio Felipe Rocha /  Compromissada: Maria da Penha Cunha / Acaraú - Ceará.

Com um talento nato para lidar com máquinas, Sebastião consolidou-se mesmo como mecânico de automóveis, profissão que repassou aos filhos homens. Sua oficina ficava localizada na Rua Santa Cruz, nº 51. No início, só existia em Bela Cruz um outro mecânico, o Sr. Anísio Rodrigues Ribeiro, atuante, pelo menos, entre 1967 e 1974, quando no dia 10 de janeiro deste último ano, instalou um bomba para a venda de gasolina (Araújo, 1967, p. 135; Araújo, 1990, p. 107). Algum tempo depois, Sr. Anísio se mudou para Fortaleza, passando Sebastião a ser o único mecânico de Bela Cruz.

Vista da Rua Santa Cruz com oficina de Sebastião em destaque, 1982.

D. Francisca Fonseca*

A esposa de Sebastião, D. Francisca, nasceu a 7 de agosto de 1927, no Marco, tendo menos de 23 anos quando se casou com Sebastião. Em Bela Cruz, trabalhou por muitos anos como costureira e cabeleireira, especializando-se em frisar cabelos, atendendo mulheres não somente moradoras da cidade de Bela Cruz, mas também de localidades rurais e de outros municípios. Ela esteve presente no dia da emancipação política do município, 23 de fevereiro de 1957, e lembra muito bem dos costumes dos habitantes do pequeno povoado, quando aqui chegou.

Francisca também presenciou a inauguração do "novo" Instituto Imaculada Conceição, em 14 de fevereiro de 1960. Em 1965, o cantor Luiz Gonzaga esteve na região, fazendo um show no dia 30 de novembro na "Casa da Juventude", em Acaraú (Araújo, 1991, p. 131). Nessa mesma época, ele fez sua apresentação no referido Instituto e comprou os longos cabelos da Maria de Lourdes, conhecida como Peuta.

Ela sempre foi muito religiosa, participava do Coral da Igreja, recebia os sacramentos da confissão e da comunhão nas primeiras sextas-feiras e sempre primou pela educação religiosa e da instrução dos seus filhos, os quais já iniciavam seus estudos formais, alfabetizados e sabendo a tabuada. Sempre solícita com as pessoas, especialmente com as mais carentes, acolheu-as em sua casa, principalmente doentes ou que precisasse de alguma ajuda. Essa atitude de D. Francisca era constante, mas se acentuou por volta do ano de 1966, quando existia um Posto de Saúde em frente sua casa, na Rua Humaitá.

O médico que atendia no referido posto era Dr. Manoel Airton Osterno, seu colega de classe, que vinha do Marco, o qual era auxiliado pela Diana Rios, sua atendente. Muitas pessoas enquanto aguardavam atendimento ficavam na casa da D. Francisca para tomar chás, água, café, banhar e amamentar as crianças, lavar os coeiros e roupinhas e, muitas vezes, tomar remédios. Certa vez foi preciso interromper um atendimento do Dr. Airon para interceder por um homem que estava passando mal em sua casa. D. Francisca frequentemente levava merenda para Dr. Airton e para sua atendente Diana e, quando era preciso atender no turno tarde, almoçava em sua casa, pois dizia que gostava muito da comida dela.

*Texto de Rita Fonseca, minha mãe e filha Sebastião e Francisca, com adaptações.

Ancestralidade Genética

O fenótipo de meu avô sempre me chamou atenção por ser atípico para nossa região. Isso alimentava a curiosidade sobre uma possível ascendência indígena e, ao mesmo tempo, misturava-se ao pouco que se sabia sobre seu passado, conferindo certo ar de mistério à sua origem. No início de 2025, meu primo, Caio Fonseca, realizou testes de ancestralidade de minha avó, D. Francisca, e de sua mãe, Regina Célia, filha de Sebastião, por meio da plataforma Genera.

Comparando os resultados de mãe e filha, tornou-se possível estimar, ainda que de forma aproximada, o perfil genético de Sebastião. Como esperado, os dados sugerem que cerca de 74% de sua ancestralidade era proveniente de povos nativos americanos, com indícios de prevalência de ligação com os povos amazônicos (~38%). Isso é compatível com o que se sabe sobre sua origem amazonense. Os resultados sugerem que seus pais ou avós possuíam ascendência indígena significativa, provavelmente resultante de processos relativamente recentes de miscigenação entre populações indígenas da Amazônia e colonos de origem europeia.

A plataforma Genera permite ainda identificar indivíduos geneticamente aparentados. Novamente, ao comparar os parentes genéticos listados para Regina com aqueles identificados para sua mãe, Francisca, foi possível destacar um indivíduo aparentemente vinculado ao ramo paterno de sua família. Esse indivíduo, que identificarei apenas como Lucas, compartilhava 56 cM de DNA com Regina, valor que a plataforma classificou como compatível com um primo de terceiro ou quarto grau. Um cenário plausível, entre outros, é que Lucas seja bisneto de um tio de Sebastião ou descendente de algum ancestral comum situado entre os avós e trisavós deste.

Entrei em contato com Lucas, residente em Manaus, em junho de 2025. Ele nos forneceu informações valiosas. Embora não tenha reconhecido os sobrenomes dos avós de Sebastião, afirmou pertencer ao povo Mura e relatou que o ancestral compartilhado possivelmente teria origem na região de Itacoatiara, município situado às margens do rio Amazonas, a cerca de 270 quilômetros de Manaus. Historicamente, os Mura ocuparam vastas áreas dos vales dos rios Madeira, Amazonas e Purus. Apesar de serem informações limitadas, apontam para uma possível origem da família de Sebastião nessa região do Amazonas.

Habitação dos Índios Mura, 1931. (Fundo Tribunal Especial, S. Procuradoria, n. 640, vol. IV, dep. 311).

Falecimento

Sebastião Chagas Fonseca faleceu às doze horas e vinte minutos do dia 6 de janeiro de 2015, com 89 anos de idade, de parada cardiorrespiratória, na estrada a caminho de Sobral, como declarado por sua filha, Rita Fonseca, em seu atestado de óbito. Foi sepultado no cemitério Nossa Senhora de Fátima, em Bela Cruz.


Sebastião Chagas Fonseca (1926-2015).

"Quero somente que na campa em que eu repousar

Os ébrios loucos como eu venham depositar

Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo

E suas lágrimas de dor ao peito amigo"

(O Ébrio, 1936, Vicente Celestino)

Diego Carneiro

28 de junho de 2026 

Como citar esse texto:

CARNEIRO, Diego. Os Fonseca de Bela Cruz. História e Genealogia do Baixo Acaraú [recurso eletrônico]. Fortaleza, 28 de junho de 2026. Disponível em: https://genealogiabaixoacarau.blogspot.com/2026/06/os-fonseca-de-bela-cruz.html

Referências

ARAÚJO, Nicodemos. Bela Cruz: De Prédio Rústico a Cidade. Edições A Fortaleza. Fortaleza, 1967.

ARAÚJO, Nicodemos. Município de Bela Cruz. Acaraú, 1985.

ARAÚJO, Nicodemos. Cronologia de Bela Cruz. Acaraú, 1990.

ARAÚJO, Nicodemos. Cronologia da Cidade de Acaraú, 1700 - 1991. Acaraú, 1991.

BELA CRUZ (Município). Secretaria da Cultura. Museu a Céu Aberto: conhecer o passado é garantir o futuro. Bela Cruz, CE: Museu Emílio Fonteles, 2022.

LOYD, Reginald et al. Impressões do Brazil no Seculo Vinte. Lloyd's Greater Britain, 1913. p. 1.043-1.048. Disponível em: https://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g51b.htm

[1] Livro de Matrimônios da Paróquia de São Manoel, Jan. 1942 a Jan. 1950, fl. 169, nº 237 (link)