A formação histórica de Acaraú está estreitamente relacionada à presença do rio Acaraú, assim como de seu estuário, manguezais, ilhas, praias, dunas e carnaubais. O município situa-se na desembocadura do rio homônimo e, desde os primeiros processos de ocupação, o sistema fluvial desempenhou papel fundamental na circulação de pessoas, mercadorias e na organização das atividades econômicas.
A cronologia da formação da Vila de Acaraú foi discutida extensamente em outra postagem, de modo que agora trarei alguns elementos mais específicos das regiões em seu entorno. Para tanto, recorri, como principais fontes, entre outras, a tese da geógrafa Maria Auxiliadora dos Santos, de 2013, e os levantamentos realizados, em 2010, pelos historiadores Alexandre Gomes e João Paulo Vieira Neto, sobre a comunidade de Curral Velho, em Acaraú.
Economia e Ocupação da Foz do Acaraú
A ocupação inicial do território de Acaraú esteve associada a uma rede de portos que conectava o litoral ao interior. Segundo Nicodemos Araújo, as primeiras edificações da cidade de Acaraú teriam se desenvolvido em torno de cinco portos: Cacimbas, Acaraú (atual "Outra Banda"), Imburanas, Ilha dos Coqueiros e Marambaia (Aranaú). Entre esses portos, Cacimbas e Outra Banda desempenharam o papel de maior destaque, funcionando como portos de cabotagem entre 1740 e 1790 e contribuindo para o movimento da povoação marítima (Araújo, 1971, p. 178). Colaborou para isso, o florescimento oficinas voltadas para a produção de charque.
Outro setor importante foi a produção de sal marinho, em 1851, a Câmara Municipal de Acaraú autorizou o funcionamento das primeiras salinas. Ademais, Nicodemos Araújo registra que, em 1883, já existiam doze salinas no município (Araújo, 1940, p. 166). Ao longo do período de expansão da atividade, chegaram a ser identificadas 28 salinas distribuídas pelas margens do rio Acaraú e por áreas como Sagüim, Perseguida, Outra Banda, Cacimbas, Alazã Velha, Carnaúba, Coroa Grande, Jenipapo, Pai José, Passagem Rasa, Correguinho, Jericoacoara, Almofala, Aranaú e Curral Velho (Santos, 2013, p. 57-58).
Em 1865, havia duas salinas nos fundos da Rua Santo Antônio, pertencentes a Francisco A. Louzada e Vicente Pongitori. Em 1874, uma salina localizada na Camboa da Perseguida, também denominada Baixa dos Martins, pertencia ao major Francisco Teófilo Ferreira. Em 1890, aparece uma salina em Curral Velho, associada a Leocádio de Araújo Costa, Antônio Ferreira Sales, José de Paula Pessoa, Vicente Pires Barbosa e Manuel Horácio da Silva. Em 1897, Cacimbas possuía uma salina relacionada a Paulo José Rodrigues, Bento Louzada Gonçalves e à firma H. Dantas. Posteriormente, aparecem registros de salinas em São José, Papagaio, Manguinhos, Curral Velho, Aranaú, Carnaúba, Coroa Grande, Jenipapo, Pai José, Passagem Rasa, Correguinho, Jericoacoara, Almofala e Caraúbas (Santos, 2013, p. 58-59).
As salinas também produziram transformações físicas na paisagem. Santos (2013) observa que muitos dos terrenos anteriormente ocupados por salinas passaram posteriormente a ser utilizados pela carcinicultura. Em localidades como Perseguida, ou Baixa dos Martins, e Alazã Velha, foram realizados extensos aterros de barro próximos às salinas, e essas áreas posteriormente passaram a ser ocupadas por comunidades de menor renda (Santos, 2013, p. 58).
A exploração da carnaúba constituiu outra atividade importante para a economia acarauense. Segundo Araújo (1982), a extração da cera de carnaúba começou no município em meados do século XVIII, inicialmente em pequenas quantidades destinadas à fabricação de velas para consumo doméstico. Por volta de 1800, a cera passou a ser comercializada para exportação e tornou-se importante fonte de receita municipal. A atividade posteriormente entrou em declínio devido ao aumento do custo da mão de obra e à falta de investimentos para modernização do beneficiamento (Araújo, 1982, apud Santos, 2013, p. 59-60). A presença dos carnaubais, sobretudo nas margens do baixo curso do rio Acaraú, constituiu, assim, não apenas um elemento da paisagem, mas também um importante componente da economia histórica do município.
A fabricação de rapadura e aguardente também contribuiu para a diversificação econômica de Acaraú. Segundo Araújo (1982), a produção teve início no começo do século XIX e, entre 1857 e 1865, foram instalados 38 engenhos de rapadura em diferentes localidades do município, entre elas Itapajé, Panã, Conceição do Correguinho, Timbaúba, Mongubas, Tanque do Meio, Almofala, Brejo, Formosa, Carnaúba, Papagaio, Buriti, Cacimbas, Maracanã, São Vicente, Guajiru e Água das Velhas (Araújo, 1982, apud Santos, 2013, p. 60). A atividade entrou posteriormente em decadência em razão dos custos de cultivo e manutenção da cana, da elevação dos impostos e das dificuldades enfrentadas pelos produtores (Araújo, 1992, apud Santos, 2013, p. 60).
A Economia Pesqueira
No século XX, a pesca e o beneficiamento do pescado assumiram papel central na economia do município. O beneficiamento industrial de peixes para produção de conservas ocorreu durante 67 anos, entre 1903 e 1971. Foram instaladas quatro fábricas de beneficiamento, especialmente voltadas para o camurupim (Megalops atlanticus), localizadas em Jericoacoara, Almofala, Cacimbas e na área urbana de Acaraú. A unidade situada na área central da cidade teria sido a mais próspera e possuía equipamentos modernos, destacando-se no parque industrial cearense (Araújo, 1940). A importância do camurupim para a economia local foi tamanha que um monumento dedicado ao peixe foi instalado na entrada da cidade. A decadência da indústria esteve relacionada à escassez do pescado, à falta de apoio governamental e à elevada carga tributária (Santos, 2013, p. 61).
A pesca da lagosta constituiu outro momento importante da história econômica das comunidades costeiras. Essa atividade teve início em novembro de 1961, tendo como principais áreas de atuação Cacimbas, Ilha dos Coqueiros, Volta do Rio e Almofala. Nessas localidades funcionaram colônias de pescadores e pequenas escolas vinculadas às colônias, demonstrando que a pesca estruturava não apenas a economia, mas também formas locais de organização social e educacional (Santos, 2013, p. 62).
A história dos portos sofreu mudanças importantes ao longo do século XX. De acordo com Araújo (1982), em 1968 os portos de Cacimbas, Imburanas e Ilha dos Coqueiros perderam suas funções em favor de Outra Banda e Marambaia, que passaram a concentrar o movimento das embarcações pesqueiras. No porto de Outra Banda foram construídos, nesse período, quatro trapiches destinados às embarcações que ali ancoravam durante as marés cheias (Araújo, 1982). A transformação da rede portuária demonstra que localidades anteriormente fundamentais para a circulação de mercadorias e para a pesca perderam gradualmente sua centralidade à medida que novas estruturas e tecnologias foram incorporadas à economia municipal.
A dinâmica de Outra Banda estava estreitamente relacionada a outras localidades. Pedrinhas, por exemplo, recebeu famílias provenientes de Cacimbas após a decadência do antigo porto e das atividades agrícolas desenvolvidas naquela área. Antes do crescimento populacional, Pedrinhas apresentava casas de taipa, veredas e uma população composta principalmente por pescadores, marisqueiros e marisqueiras. Seus moradores utilizavam os portos de Cacimbas e Outra Banda e frequentavam o chamado “Bal”, espaço utilizado para banho e lavagem de roupas e utensílios (Santos, 2013, p. 80-82). A história de Pedrinhas, portanto, está vinculada aos deslocamentos provocados pela transformação da economia de Cacimbas.
Curral Velho
Curral Velho constitui outro importante núcleo da história das comunidades tradicionais do litoral acarauense. Segundo os relatos dos moradores mais antigos, a ocupação da área teria ocorrido por volta de 1902, próximo ao litoral, com a instalação de aproximadamente trinta famílias atraídas pela pesca de curral. O local era anteriormente conhecido como Ilha de Imburana, denominação relacionada à presença abundante da planta de mesmo nome (Santos, 2013, p. 83). Nóbrega e Martins (2010), que realizaram entrevistas com lideranças locais e moradores mais velhos, trazem o seguinte relato sobre o topônimo:
Curral Velho teve esse nome por causa dos currais de pesca, um tipo de material que se usa na área da pesca. [...] esses currais, tem uma época, que eles ficam velhos, ele cai, o mar derruba, né, aí os pescadores tiram ele de dento d'água, põe no seco e vão reformar novamente o material velho e vão utilizar outros novos. [...] então quando nós viemos ao mundo, já viemos sabendo que já existia esse nome, que a nossa comunidade já era Curral Velho (Nóbrega e Martins, 2010, p. 3).
Portanto, como observam as autoras, a gênese da comunidade teria relação direta com a atividade da pesca artesanal, desenvolvida ainda hoje pela população local. Com o passar do tempo houve um avanço das marés levando ao deslocamento das residências, esse fenômeno teria originado a atual Praia de Arpoeiras. Posteriormente, a comunidade passou a apresentar uma divisão entre Curral Velho de Cima, localizado junto à rodovia, e Curral Velho de Baixo, situado entre os apicuns (Santos, 2013, p. 84).
Em levantamento realizado por Gomes e Vieira-Neto (2010), constavam como moradores mais antigos, nascidos em Curral Velho, as famílias Honório: Francisco de Assis Honório (n. 20/03/1934), Manuel Honório do Carmo (n. 13/11/1945) e Librada Miranda Honório (n.14/06/1939); e a família Silva: Eulina Maria da Silva (n. 08/10/1923), Afonso Bernardo da Silva (n. 15/09/1929) e Raimunda Maria da Silva (n. 06/01/1933); além de D. Raimunda Júlia (n. 25/08/1926).
Como visto, a subsistência dos moradores permaneceu durante certo tempo relacionada à pesca artesanal e a mariscagem, atividades ainda hoje relevantes. Para tanto, utilizam barcos ou jangadas, produzidos tanto localmente quanto em Acaraú, para acessar as áreas de mangue ou mar aberto, com redes ou linha e anzol. Emprega-se também as redes de pesca, hoje trançadas em nylon, que variam conforme o tipo de pescado pretendido. Os currais de pesca também são bastante utilizados, sendo as técnicas de construção repassadas a cada geração e partilhadas dentro da comunidade. Paralela a essa atividade, a comunidade vive da catação de mariscos (caranguejos, siris, ostras, búzios) e da agricultura de subsistência. A batata, o milho e o feijão são os principais produtos cultivados pelo grupo.
Um ponto de inflexão na vida econômica da comunidade ocorreu entre o final dos anos de 1990 e inícios dos 2000, com a chegada da atividade de carcinicultura. Esta teria provocado severos desequilíbrios ambientais, com o desmatamento das áreas de mangue, o que teria afetado a qualidade do pescado, levado a salinização do solo e a poluição dos mananciais de água potável. Essa situação desembocou em conflitos entre os produtores lideranças comunitárias (Nobrega e Martins, 2010, p. 5).
Em setembro de 2004, moradores de Curral Velho foram torturados e quase mortos em um conflito envolvendo a empresa de carcinicultura Fazenda Joli Pescados, acusada de destruir o manguezal da região. Os acusados incluíam um delegado da Polícia Civil, um subtenente da Polícia Militar e um escrivão, todos lotados no município de Horizonte (CE), a 278 km de Acaraú, que, segundo a Defensoria Pública do Ceará, teriam agido a mando da empresa. Mais de duas décadas depois, em novembro de 2025, a Justiça cearense finalmente levou o caso a julgamento popular na 1ª Vara do Júri de Fortaleza, considerado um dos conflitos socioambientais mais emblemáticos do litoral cearense (DireitoCE, 2025).
Diante da crise na pesca e da necessidade de pensar novas alternativas de desenvolvimento para geração de renda, a comunidade começou a investir na proposta do turismo comunitário em 2006. Com apoio de ONGs, organizações locais e movimentos sociais, a Associação de Marisqueiras e Pescadores de Curral Velho desenvolve ações de educação ambiental envolvendo as crianças, jovens e adultos que moram ou visitam a comunidade, realizando atividades proporcionam o contato com o manguezal e com as formas de vida que se desenvolvem nesse ecossistema (Rede Tucum, s.d.).
Entre os pontos de referência da comunidade, destaca-se a Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, inaugurada em junho de 2002. Há também o Cemitério do Cidroca, situado em uma ilha fluvial. A história desse cemitério remete a um cadáver anônimo encontrado por pescadores, ao qual deram o nome de "Cidroca", que teria sido o primeiro a ser sepultado na ilha. Isso teria ocorrido na primeira metade da década de 1980. Antes da construção do cemitério, os sepultamentos eram realizados na sede do município, distante cerca de sete quilômetros, tornando os cortejos excessivamente penosos. Adotava-se o costume de conduzir os mortos embalados em uma rede (Gomes e Vieira-Neto, 2010, p. 17). Com o avanço da maré e o deslocamento das casas, o cemitério caiu em desuso.
Praia de Arpoeiras
A Praia de Arpoeiras está diretamente relacionada a esse processo de ocupação do Currral Velho. O local apresenta grande dinâmica das marés, com recuo das águas que pode superar dois quilômetros durante a maré baixa. Essa configuração ambiental condicionou historicamente as práticas de pesca e a instalação dos currais, contribuindo para a formação do modo de vida da comunidade (Santos, 2013, p. 83-85). Antes de se chamar praia de Arpoeiras era habitada por muitas famílias, mas com os ventos fortes e a falta de água potável alguns moradores saíram do local.
Os pescadores da região ao retornarem dos currais com o pescado do dia, montavam pequenas cabanas e lá bebiam e comiam. Com o tempo pessoas que passavam no local se tornaram clientes e foi aí que surgiram as barracas na praia, hoje procurada por turistas. Considerada a maior praia seca do Brasil, ela possibilita o banho de mar em águas rasas, quando a maré seca é possível caminhar por longa extensão de areia até o mar. Em maré baixa, a água recua cerca de dois quilômetros em relação à costa, num fenômeno que se repete duas vezes ao dia. A praia também cativa pela extensão e calmaria (Gomes e Vieira-Neto, 2010, p. 9).
Artesanatos, Culinária e Técnicas Materiais
A comunidade tradicional de Curral Velho, assim como outras situadas ao longo deste litoral, desenvolvem uma série de apetrechos e equipamentos para o uso diário, muitos deles voltados a pesca e ao preparo de alimentos. Por exemplo, o Manzuá é um tipo de armadilha para peixes feita com madeiras finas e arames organizados em forma cônica, que são colocados no mar e recolhidos a cada três dias. No passado, havia também uma presença relevante do artesanato feito com palhas de carnaúba, realizado principalmente por mulheres. Depois de secas, eram feitas tranças para produzir bolsas, chapéus, esteiras, urus, sacas e etc. Essa técnicas ainda persistem, mas de maneira residual.
Entre as técnicas materiais mais marcantes dessa comunidade estão os próprios currais de pesca, que deram nome ao local. Os currais são construídos em águas rasas, consistindo de uma fileira de paus fincados no chão, ligados por cipós e varas, formando uma espécie de cerca (espia). São feitos de modo a formar um corredor estreito por onde os peixes conseguem entrar, mas não sair. Quando a maré sobe e inunda o curral, os peixes são atraídos para o seu interior, na chamada "sala grande", ficando presos e sendo recolhidos na maré baixa. Outros compartimentos menores podem compor o curral como o chiqueirinho e a salinha.
Os pescados são a base da alimentação dos moradores da região juntamente com a farinha de mandioca. Essa última é cultivada localmente e beneficiada nas casas de farinha durante o período das "farinhadas". Uma vez que nem todos possuem esses equipamentos, é comum que as famílias atuem coletivamente nesse processo, iniciado com a arranca das mandiocas, raspagem, moenda, decantação e secagem. Isso resulta na produção da farinha e seus derivados, como a tapioca, a goma, o beiju, o lenço e a borra. Misturada ao caldo de peixe, a farinha dá origem ao pirão, prato bastante típico das comunidades litorâneas. Outros pratos locais são a mariscada, feita com búzios coletados nas praias próximas, e o "grolado", uma farofa feita de farinha de mandioca e coco ralado, geralmente consumida junto com os pescados.
Lendas e Folclore
A memória oral dos pescadores constitui uma dimensão importante da história local. Os pescadores acarauenses costumam atribuir o sucesso nas pescarias à sorte, que, por sua vez, seria fruto do merecimento, conquistado a partir do respeito aos pactos estipulados, da reciprocidade, e do comportamento solidário e de cooperação, que se desobedecidos podem trazer maus presságios e desastres fatais.
Histórias colhidas por Maria Auxiliadora remetem a lendas antigas, como a de que em algum momento poderá haver um avanço do mar que fará “a Igreja Matriz vai se tornar cama de baleia”, uma alusão direta as profecias de Frei Vidal da Penha, missionário que percorreu a região no final do século XVIII. Os relatos também tratam de fenômenos sobrenaturais como "letras de fogo sobre as águas", assobios e árvores do mangue que caem e se erguem sozinhas.
Os seres fantásticos também povoam a imaginação coletiva. Um relato semelhante ao registrado em Tatajuba, remete a figura do Tarrafeiro que, em momentos de calmaria, surge imitando os gestos dos pescadores ao "tarrafear", provocando arrepios nos mesmos e prejudicando a captura. Outro personagem presente nos relatos, colhidos por Gomes e Vieira-Neto (2010), dizem respeito ao "Assobiador", criatura que teria origem bíblica, do próprio Caim, num claro sincretismo, que perseguiria aqueles que ousassem imitar seu assobio, punindo-o com chicotadas nas costas (p. 15). Nesse universo mitológico, Auxiliadora registra ainda relatos sobre "bruxas no antigo porto de Cacimbas de aparência assustadora com tochas de fogo ateando no mangue, além de um carro que aparece no meio do fogo e em seguida desaparece" (Santos, 2013, p. 88).
Essa história do carro misterioso também aparece em relatos dos moradores de Tatajuba, em Camocim, e da região de Aranaú, sob o nome "Jipe da Visagem". Em Curral Velho, também é referida como "Fogo da Velha", tendo sua origem atribuída a um antigo salineiro que teria acidentalmente atropelado um pobre velhinha. Após esse episódio, os moradores passaram a ver, sempre durante a noite, o reflexo de um carro na forma de um clarão, como se fossem faróis de um carro, que não emite sons (Gomes e Vieira-Neto, 2010, p. 15).
Outras histórias remetem a uma encruzilhada no rio de nome “Camurupim”, onde dizem já ter sido visto caixões flutuando (também já avistados nas ruas da vila) e a figura de um "negrinho que nada no rio, entra no mangue e desaparece". Outro relato recorrente, também que também integra o folclore de outras comunidades litorâneas da região é a aparição do chamado “fogo do salgado”, que percorre grande trecho do rio para se apagar em um mergulho.
Há ainda entre os relatos dos populares a figura do lobisomem, que guarda bastante semelhança com os depoimentos de Aranaú, no que se refere ao suposto ritual de transformação:
Para virar lobisomem um homem vai a um campo aberto, perto de onde ficam os animais, tira suas roupas, e começa a rolar pelo chão. Daí surge pelos, suas orelhas e unhas crescem e pronto, sai por aí à procura de presa, de preferência galinhas (Gomes e Vieira-Neto, 2010, p. 16).
Entretanto, em Curral Velho, agregou-se ainda características físicas a criatura: quando não transformados, seriam magros, pálidos e peludos, possuindo, de forma geral, aparência frágil. Ademais, segundo os relatos, acreditam que ele correria com os cotovelos, sendo a existência de calos nessa região um evidência conclusiva para identificá-los na forma humana.
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DIREITOCE. Mais de duas décadas depois, Justiça cearense leva Caso Curral Velho a julgamento do júri popular. [S.l.], 2025. Disponível em: https://direitoce.com.br/mais-de-duas-decadas-depois-justica-cearense-leva-caso-curral-velho-a-julgamento-do-juri-popular/. Acesso em: 25 ago. 2026.
GOMES, Alexandre Oliveira; VIEIRA-NETO, João Paulo. Historiando Curral Velho. Rede Tucum. Fortaleza, 2010.
LOUREIRO, Caroline Vitor; GORAYEB, Adryane. Práticas do turismo de base comunitária como ferramenta de preservação ambiental. Revista Geonorte, Edição Especial 5, v. 7, n. 26, p. 220–232, 2016.
NÓBREGA, Luciana Nogueira; MARTINS, Martha Priscylla Monteiro Joca. Populações tradicionais, território e meio ambiente: um estudo sobre a carcinicultura e a Comunidade de Curral Velho – Acaraú/Ceará. In: CONGRESSO NACIONAL DO CONPEDI, 19., 2010, Fortaleza. Anais [...]. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2010.
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SANTOS, Maria Auxiliadora Ferreira dos. Outra Banda: lugar de quem? 2013. 118 f. Tese (Doutorado em Geografia) – Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2013.
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