A Colonização do Riacho da Prata [em construção]

Açude da Prata, Cruz.

O Riacho da Prata é um curso d'água que atravessa grande parte do atual município de Bela Cruz, no sentido norte-sul. Nasce em um local chamado Pubas, com a denominação São Gonçalo, e tem sua foz no Poço Doce, no município de Cruz (Araújo, 1967, p. 21). A primeira menção a esse riacho aparece no mapa atribuído a Pero Coelho de Sousa, datado do início do século XVII, com a denominação "saituba", indicando um local onde abundam sais (Brasil-Sobrinho, 1948, p. 158).

Um marco em sua colonização foi a sesmaria obtida pelo Capitão Diogo Lopes de Araújo Costa, em 18 de junho de 1817. Diogo Lopes era o filho homem mais velho do Capitão José de Araújo Costa, proprietário de grande parte das terras situadas ao norte da sede do município de Bela Cruz. Na petição, ele informa ser:

(...) possuidor de huma Sesmaria de terras ha vinte e tantos annos na ribeira do Acaracú, termo da V. do Sobral lugar denominado Lagoa do Matto, onde tem situados seus gados e Cavallares de toda a Sorte, ha meste a este Sitio hum riacho chamado da Prata que corre de Sul a Norte, habitado e lavrado com caza, aviamentos de fazer farinha, rossas, e fruteiras do Suplicante, ha quasi outro tanto tempo qt. o em que possua lagoa do Matto, sem opposição nem contradição de pessoa algúa tendo por hereos seus confinantes, pela parte do Nascente com terras da Cruz, lagoa seca, e Malassombrado de Francisco Ant.º Linhares do mesmo termo do Sobral, e com a dita lagoa do Mato do Suplicante pela parte do Poente com terras da Data do Commandante Ant. da Silva Barros do termo da V.* da Granja, pela parte do Norte com terras do Castilha no termo da Granja, e com terras da timbauba ribeira do Acaracú termo de Sobral, e pela parte do Sul com terras da mesma lagoa do Matto do Suplicante, ficando-lhes mistas as terras sobreditas do Riacho da Prata que quer o Suplicante lhe sejão consedidas por sesmaria de sobras dos sobreditos heréos confinantes, pegando dos limites dos providos do Norte pelo riacho da Prata (Sesmarias nº 728, p. 59).

Ele obteve "tres legoas de comprido e hua de largo, ou legoa e meia em quadro, como na verdade se achar". Segundo a descrição da sesmaria, foi possível localizá-la, conforme descrito abaixo. Ressalta-se que as "terras do Castilha" refere-se Sítio Castelhano, do Coronel Barbosa de Morais, enquanto a Fazenda Timbaúba pertencera a Antônio Correia Peixoto, hoje correspondendo ao distrito de Aranaú, em Acaraú. Ademais, ao oeste, as terras confrontavam com o limite entre os termos das vilas de Granja e Sobral.

Atualmente, essa região corresponde a grande parte do Distrito da Prata, em Bela Cruz, bem como às localidades de Riacho de Cima, Poço do Meio, Riachão da Prata, Grosso, Cambotinha, Lagoa do Alexandre, Santa Teresa, Ema, Pimenteiras, Lagoa dos Caboclos e Cardoso. Já no município de Cruz, a terra compreende as localidades de Baixinha dos Fonteles, Canafístula, Bento Lobo e Poço Doce.

Porque Riacho "da Prata"?

Desconheço qualquer explicação local para o topônimo Prata, sendo um dos primeiros documentos que o registra, o supramencionado pedido de sesmaria. Há, entretanto, uma menção ainda mais antiga, feita no inventário de José Monteiro de Melo, de 1805 [1]:

"Declaro que possuo mais três légoas de terra no Riacho da Prata, as quaes arrematei para pagamento de dividas no juízo de órphãos desta villa, era então escrivam Félix José de Souza e Oliveira, e foi arrematada a terra por execução por mim feita contra João de Deus Caminha" (De Sousa, 2015, p. 153).

José Monteiro de Melo, filho de escravos, foi um rico comerciante da região do Acaraú entre o final do século XIX e início do século XX, tendo, inclusive, deixado em testamento terras para a construção da Igreja N. S. da Conceição de Acaraú. O dono anterior da propriedade, João de Deus Caminha, era neto do sesmeiro Domingos de Aguiar e Oliveira e, portanto, primo de segundo grau de Diogo Lopes. Isso sinaliza que o topônimo já vinha sendo utilizado antes mesmo da data do Capitão.

Tenho uma hipótese intrigante para a origem desse nome. No livro "Velhas Igrejas e Subúrbios Históricos", o autor Flávio Guerra nos conta que existia no Recife antigo uma lagoa e um Riacho da Prata, indicando inclusive a sua suposta origem:

Conta a lenda que Branca Dias, que foi algures uma rica senhora de engenho, nas terras de Camaragibe, também de Apipucos, tendo sido denunciada perante o Tribunal de Santo Ofício por crime de judaísmo, isto pelas alturas de fins do século XVII, ao ser intimada com ordem de prisão, arremessou no açude que por ali corria toda a sua baixela riquíssima de prata, tão grande e tão rara que as águas do rio mudaram de cor e ficaram tão claras e límpidas como a prata. E estando inocente e tendo sido condenada pelo excessivo rigor da Inquisição, logo Branca Dias caiu na piedade popular e o riacho passou a ser chamado de Riacho da Prata.

Até onde vai a veracidade dessa lenda é impossível de determinar-se . Mas que Branca Dias realmente existiu e foi denunciada pelo crime de judaísmo, isto consta documentadamente no livro "Primeira Visitação do Santo Ofício ás Partes do Brasil — Denunciações de Pernambuco". Ela foi realmente remetida presa para Portugal, lá morrendo queimada nas fogueiras da Santa Inquisição, de cujo auto de fé existiu, segundo informações colhidas, até pouco tempo, "um quadro a óleo no Claustro do Convento de S. Francisco na Paraíba, representando Branca Dias com pés de cabra, em alusão ao seu delito. (Guerra, 1970, p. 239).

Sabe-se que muitos dos primeiros habitantes do Baixo Acaraú eram oriundos de Pernambuco, a quem o Ceará permaneceu subordinado até o final do século XVIII. Dessa forma, teria o nome do Riacho da Prata, em Bela Cruz, sido inspirado no seu antigo homônimo recifense? Difícil dizer com certeza. Mas um fator torna essa hipótese instigante é o fato de Manoel Vaz Carrasco, avô do Capitão Diogo Lopes, tio-avô de João de Deus Caminha, e um dos primeiros habitantes da região, ser descendente direto (pentaneto) da dita Branca Dias Coronel.

Os Filhos do Capitão Diogo Lopes

Para compreender o que aconteceu com as terras do Riacho da Prata (e da Lagoa  do Mato), faz-se necessário rastrear a porção que coube aos herdeiros do sesmeiro. Ressalta-se que existe certa mística sobre a numerosa prole do Capitão Diogo Lopes de Araújo Costa. Segundo o historiador Antônio Bezerra, o capitão, apesar de nunca ter se casado, chegou a viver maritalmente com sete mulheres diferentes, que teriam lhe dado 35 filhos, dos quais apenas 20 teriam sobrevivido (Bezerra, 1695, p. 371).

A informação obtida por Bezerra advém de uma lista, elaborada a 17 de outubro de 1872, pelo Major João de Araújo Costa, filho de Diogo Lopes. Entretanto, o memorialista Nicodemos Araújo, que escreveu um livro biográfico sobre Diogo Lopes, sustenta, com base no seu inventário, que o mesmo teria "apenas" 16 herdeiros, de três mulheres diferentes (Araújo, 1978, p. 23). De fato, constam dezesseis nomes no inventário, aberto a 22 de junho de 1833, como é possível ver na foto abaixo [2].

Trecho do Inventário do Capitão Diogo Lopes, 1843*
São eles:

"Filho reconhecido de Antónia Maria do Rosário: 
1 - João Bento de Araújo Costa
Filhos reconhecidos de Maria Rodrigues de Sousa:
2 - Diogo Lopes de Araújo Costa Júnior (falecido em 1825)
3 - Manoel de Araújo Costa
4 - António de Araújo Costa
5 - Lúcio de Araújo Costa
6 - Félix de Araújo Costa
7 - Bernardino de Araújo Costa
8 - Antônia Balbina de Araújo Costa
9 - Inácia Sabina de Araújo Costa, casada com João Nepomuceno de Araújo Costa
Filhos reconhecidos de Maria Siciaca da Fonseca:
10 - João de Araújo Costa
11 - José Lopes de Araújo Costa
12 - Venâncio Meireles de Araújo Costa
13 - Raimundo Nonato de Araújo Costa
14 - Simplício de Araújo Costa
15 - Vicente Lopes de Araújo Costa
16 - Beatriz Geracina de Araújo Costa, casada com Francisco Joaquim da Silveira” (Araújo, 1967, p. 23).

Dentre estes, foi possível localizar como proprietário do Riacho da Prata os irmãos José Lopes de Araújo e Venâncio de Araújo Costa. Isso consta no Livro de Registro de Terras da Freguesia da Barra do Acaraú, referente ao ano de 1857 (abaixo).

Registro de Terras de Venâncio Meireles de Araújo e José de Araújo Costa

Número seiscentos e noventa e sete - Declaro que sou possuidor de três posses de terra nesta Freguesia, sendo duas no Riacho da Prata e uma no Falcão, as quais quero registrar. Acaracú, nove de março de mil oitocentos e cinquenta e sete. Por Venâncio Meireles de Araújo e José de Araújo Costa. Apresentada. Pagam trezentos e cinquenta réis e cento e oitenta e cinco letras. Barra, dezoito de março de mil oitocentos e cinquenta e sete. Vigário Antônio Xavier de Castro e Silva.

Têm-se pouca informação sobre Venâncio e José, fora o fato de que foram militares de média patente. Venâncio foi Capitão da Guarda Nacional, patente recebida a 14 de novembro de 1866 (Araújo, 1978, p. 66). Também foi vereador na Vila Granja, eleito no ano de 1854, e delegado na mesma vila, entre os anos 1856 a 1858 (França, 2024, p. 10). Já José, foi tenente da mesma corporação, tendo sido reconhecido nessa posição em 3 de abril de 1856, sendo depois promovido a Major.

Século XX

No censo agropecuário de 1920 constam como proprietários na "Prata", Livino José da Silveira, seu filho, Raimundo Pinto da Silveira e seu genro, Daniel José da Silveira. Todos eles descendem do Tenente Albano José da Silveira, político de grande prestígio e proprietário abastado do termo da Vila de Acaraú. O Tenente Albano aparece em 1855 como proprietário das terras da Cruz e da Timbaúba, herdadas de seus pais (Livro de Terras da Freguesia do Acaraú, nº 178).

Já no inventário de Livino, lavrado em 1935, consta o seguinte sobre o Riacho da Prata:

Inventário de Livino José da Silveira, 1935 [4].

Um corpo de terras, com duzentas braças de largura, com os fundos correspondentes no lugar "Córrego da Prata", deste Município, limitando-se ao norte com terras de Raimundo Pinto da Silveira, ao sul com as de Urbano José da Silveira; ao poente com os apossados de Manoel Louzada Gonçalves, e ao nascente onde der meia légua a partir do meio do córrego com as terras das Jelargas (?) [...] e benfeitorias havidas pelo inventariado Levino José da Silveira, em maior porção, por herança em mil oitocentos e noventa e cinco de sua mãe Dona Isabel Franklina do Carmo e por compra a Antônio Graciano da Silveira e sua mulher Maria Magdalena da Silveira e Luiz José de Farias e sua mulher Maria Cândida de Farias, Francisco José da Silveira, Miguel Albano da Silveira e sua mulher.

Portanto, as terras estavam na família desde pelo menos três gerações, dado que Livino era filho de Tenente Albano e as outras pessoas citadas, seus irmãos. Essa propriedade, próxima da divisa entre os municípios de Cruz e Bela Cruz, provavelmente originou o povoado que, mais tarde se transformaria na Vila da Prata, sede do distrito de mesmo nome. 

A Capela de N. S. do Livramento

Capela de Nossa Senhora do Livramento, na Vila de Prata, Bela Cruz.

Segundo Nicodemos Araújo, a primeira capela construída nessa área, foi a de N. S. do Livramento, na Vila de Prata. Essa igreja teve sua construção iniciada a 3 de agosto de 1936, sendo inaugurada, pelo Pe. Sabino de Lima, a 14 de dezembro de 1940. Sendo a bênção da imagem de sua Padroeira, foi dada, pelo mesmo sacerdote, no dia seguinte.

O patrimônio da capela foi doado por Minervino José de Vasconcelos e sua mulher, D. Silvina Maria de Vasconcelos, conforme escritura lavrada em 10 de janeiro de 1936, nos seguintes termos:

Trecho do termo de doação a N. S. do Livramento [3].

Um quadro de terra no lugar Prata, deste termo, medindo cem braças de frente por cem de fundos, limitando-se: ao poente com o Riacho de Prata; ao Nascente, aonde der cem braças. com os vendedores; ao norte, no travessão existente, com terra de Luiz Pereira Brandão, e ao Sul, onde der as cem braças, finda  com os vendedores, havidas por estes nas quantidades de duzentas e trinta e cinco braças e três quartos de braça, por uma légua de fundos (meia para cada banda do Riacho da Prata), sendo oitenta braças por feita a José Antônio de Carvalho e sua mulher, dezoito braças e três quartos de braças, por compra a Alberto Rodrigues de Azevedo e sua mulher, vinte e cinco braças, por compra a Francisco das Chagas Rocha, sua mulher e  outros, sessenta e sete braças por compra a Luiz José de Farias, e outros trinta e três braças por compra a Raimundo Nonato de Vasconcelos e sua mulher e doze braças por compra a José Muniz Rodrigues e sua mulher, tudo conforme documento registrado no Cartório de Imóveis deste Termo.

Sobre as pessoas citadas, Luiz Pereira Brandão era casado com Raimunda Marques de Araújo. Ele era neto de João Pereira Brandão, possuidor, em 1855, de terras na Timbaúba e no Falcão. Já ela era filha de Bernardo Marques da Costa, possivelmente descendente do Capitão Diogo Lopes. Já José Muniz Rodrigues é descendente do casal José Muniz Rodrigues (Zé Muniz) e Maria Antônia da Conceição, genearcas da família Muniz do Baixo Acaraú. Segundo a memorialista Maria Elizabeth Albuquerque, eles são provavelmente oriundos dos "Muniz Farrapo", de Santa Quitéria (Albuquerque, 2009, p. 91). Em 1856, Zé Muniz aparece como proprietário de terras compradas e herdadas na Cruz e na Timbaúba. Tanto a mãe, quanto a esposa de José Muniz (neto), também eram descendentes do Capitão Diogo Lopes.

Distrito da Prata

Em 1958, por meio da Lei Estadual nº 4439, de 30 de dezembro, foi criado o Distrito da Prata, no recém-criado município de Bela Cruz. O mesmo tinha como limites:

a) Ao sul, com o distrito sede: Parte da casa principal da Fazenda Santo Izidio, nas proximidades dos limites intermunicipais com Camocim; segue daí para alcançar o travessão divisório das terras de propriedade de José de Paula Pessoa e Manuel Vieira: segue pelo mesmo travessão até o lugar São Geraldo, onde termina: daí segue por uma reta até encontrar o travessão divisório entre as terras de Miguel Dias e João Lopes Sobrinho pelo qual segue até o término; segue daí até encontrar o rio Acaraú.
b) Ao nascente, ainda com o distrito sede: Parte do rio Acaraú, no lugar onde ele recebe o riacho Canema: desce o rio Acaraú até alcançar os limites intermunicipais entre Acaraú e Bela Cruz.

Dentro dessa área, avaliada em 300 quilômetros quadrados, existem várias localidades como Correguinho, Lagoa de Belém, Riacho da Prata, Lagoa do Nazário, Baixio, Solidão, entre outras, muitas das quais originadas dos sítios e fazendas dos descendentes do Capitão Diogo Lopes. Já a Vila da Prata, sede do distrito, teve seu quadro urbano delimitado pela Lei Municipal nº 14, de 23 de julho de 1959, com a seguinte descrição:

Partindo do ponto em que fica situada a casa residencial de Israel Graciano da Silveira, até a residência de Geraldo Hermeto de Sousa, ao Norte; ao Sul, desde a residência de Sebastião Malaquias do Nascimento, até a casa de morada de Esaú Francisco Malaquias; ao Nascente, a Rua Leste do Mercado Publico, ainda em construção, ao Poente, desde a casa residencial de Raimundo Nonato de Vasconcelos, até a residência de Geraldo Pereira Brandão.



Diego Carneiro

05 de junho de 2026 

Como citar esse texto:
CARNEIRO, Diego. A Colonização do Riacho da Prata. História e Genealogia do Baixo Acaraú [recurso eletrônico]. Fortaleza, 05 de junho de 2026. Disponível em: https://genealogiabaixoacarau.blogspot.com/2026/05/a-colonizacao-do-riacho-da-prata-em.html

Referências

ALBUQUERQUE, Maria Elizabeth. Era uma vez na Cruz: Genealogia da Família Cruz. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2009.
ARAÚJO, Nicodemos. Bela Cruz: De Prédio Rústico a Cidade. Edições A Fortaleza. Fortaleza, 1967.
ARAÚJO, Nicodemos. Capitão Diogo Lopes: Notas Bibliográficas. Acaraú, 1978.
BEZERRA, Antônio. Notas de viagem. Imprensa Universitária do Ceará, 1965.
BRASIL SOBRINHO, Thomaz Pompeu de Sousa. O mapa de Pero Coelho: considerações gerais, autoria, data, toponímia. Revista do Instituto do Ceará, Fortaleza, ano LXII, p. 139-165, 1948.
FRANÇA, Mavignier. Guia de Contexto, Pesquisa e Leitura do Primeiro Registro das Terras de Granja Ceará ( 1854 A 1857). Coreaú: Associação Memória Salva, 2024.
GUERRA, Flávio. Velhas igrejas e subúrbios históricos. Recife, 1970.

[1] Inventário post-mortem de José Monteiro de Melo, 1805, caixa 40. NEDHIS/UVA.

[2] APEC: Acaraú / Inventários / 1833 / PAC 3 / Diogo Lopes de Araújo Costa / PROC. 4.  Divulgado por Ângela Ferreira na plataforma Family Search. Disponível em: https://www.familysearch.org/pt/tree/person/memories/KGKJ-J6W

[3] Cartório do Segundo Ofício de Acaraú, 18 de março de 1936. Agradecimento ao pesquisador Marcos Aurélio da Silveira.

[4] APEC: Acaraú / Inventários / 1935 / PAC 30 / Levino José da Silveira / PROC. 8.


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